Mulheres indígenas denunciam abandono da Funai durante ocupação em Altamira - Estado do Pará Online

Mulheres indígenas denunciam abandono da Funai durante ocupação em Altamira

Protesto contra projeto de mineração da Belo Sun já dura mais de 20 dias e expõe precariedade da estrutura do órgão federal

Foto: Sos Tapajós

Mulheres indígenas de diferentes povos mantêm há mais de 20 dias a ocupação da sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Altamira, no sudoeste do Pará. A mobilização reúne representantes dos povos Juruna, Xikrin, Arara, Xipaya e Kuruaya, que protestam contra o avanço do projeto de mineração da empresa canadense Belo Sun Mining na região do Rio Xingu.

Segundo as lideranças indígenas, o empreendimento pretende explorar ouro em uma área já impactada por grandes obras, como a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Para os povos da região, o novo projeto pode agravar ainda mais os impactos ambientais e sociais no território. Durante a ocupação, a liderança indígena Ngrenhkarati Xikrin, representante das mulheres do povo Xikrin, denunciou publicamente a situação de abandono da estrutura da Funai em Altamira.

De acordo com ela, o prédio apresenta diversos problemas estruturais, como torneiras quebradas, banheiros deteriorados, área externa tomada pelo mato e veículos oficiais sem utilização. Também há embarcações paradas no local que, segundo os indígenas, deveriam estar sendo utilizadas para apoiar comunidades que vivem ao longo dos rios da região.

A líder afirma que a precariedade da estrutura demonstra a fragilidade da presença do Estado em uma região marcada por conflitos territoriais e pressão sobre terras indígenas. “Essa é a casa do povo indígena e está abandonada”, afirmou Ngrenhkarati. Segundo ela, problemas como falta de água, equipamentos quebrados e acúmulo de lixo mostram a necessidade de investimentos e fortalecimento do órgão federal responsável pela proteção dos povos originários.

Imagens registradas durante a ocupação mostram a precariedade da sede da Funai em Altamira, com áreas deterioradas e equipamentos sem funcionamento. (Foto: Sos Tapajós)

Para as mulheres que participam da mobilização, a situação revela não apenas problemas na estrutura física da unidade, mas também o descaso com as demandas indígenas em uma das regiões mais sensíveis da Amazônia. A ocupação segue em andamento enquanto as lideranças cobram providências das autoridades e maior atenção às comunidades indígenas da região do Xingu.

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