Mais de 4 mil pacientes com glaucoma ficaram sem acesso aos colírios fornecidos por um programa de tratamento em Belém nesta segunda-feira (9). A suspensão do atendimento foi anunciada pela médica Cynthia Charone, responsável pelo grupo de saúde que realizava a distribuição dos medicamentos pelo Sistema Único de Saúde.
De acordo com a profissional, o programa é custeado com recursos federais, repassados pelo Ministério da Saúde à Secretaria Municipal de Saúde de Belém, que deve efetuar o pagamento ao prestador do serviço. No entanto, apesar de os valores já terem sido creditados pelo governo federal, os repasses não teriam sido transferidos ao grupo responsável pela execução do atendimento.
Entre os pagamentos pendentes está uma parcela depositada em 6 de fevereiro, além de outro repasse referente ao mês de março que também já consta como creditado na conta municipal, segundo a médica. A legislação federal estabelece que os pagamentos aos prestadores do SUS devem ocorrer em até cinco dias úteis após o recebimento dos recursos pelo município.
Com os atrasos, o serviço acumula quatro meses consecutivos sem pagamento, incluindo valores referentes à produção de dezembro de 2025. Segundo a responsável pelo programa, a equipe vinha mantendo o atendimento com recursos próprios para evitar a interrupção do tratamento, mas a continuidade tornou-se financeiramente inviável.
Pacientes que dependem da medicação relataram preocupação com a suspensão. O paciente Paulo Roberto Cordovil de Araújo, de 68 anos, pediu providências ao prefeito Igor Normando (MDB), afirmando que precisa do colírio para evitar a perda da visão. “Quero fazer um pedido, Igor. Conversa com teu secretário de Saúde. Sabemos que o Ministério da Saúde já passou o dinheiro para compra do medicamento. Tô pedindo não só por mim, mas por todos. Não quero perder a minha visão por irresponsabilidade de vocês. Tenho glaucoma nas duas vistas e preciso desse colírio para não ficar cego. Tô pedindo isso pelo meu direito que a Constituição garante”, disse.
Outra paciente não identificada também relatou as dificuldades que está passando. “Preciso desse colírio porque já sou cega de uma visão por causa do glaucoma. Peço que o prefeito repasse esse dinheiro”, falou.
“As vezes eu consigo comprar o colírio, mas quando não consigo, preciso vir aqui pegar. Sofro com glaucoma. Como a gente vai ficar em uma situação dessa?”, desabafou uma terceira paciente.
O glaucoma é apontado como uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. O controle da doença depende do uso contínuo de colírios específicos para reduzir a pressão ocular e impedir o avanço do quadro. A interrupção do tratamento pode aumentar significativamente o risco de perda permanente da visão.
Diante da situação, alguns pacientes procuraram o Ministério Público do Estado do Pará para relatar o problema. O órgão acompanha o caso, mas a retomada do programa depende da regularização dos repasses financeiros.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Belém mas, até o fechamento da reportagem, não houve uma resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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