Polícia pede quebra de sigilo telefônico de investigados por estupro coletivo em Copacabana - Estado do Pará Online

Polícia pede quebra de sigilo telefônico de investigados por estupro coletivo em Copacabana

Investigação busca acessar celulares e computadores de suspeitos para esclarecer denúncias envolvendo estudantes do Colégio Pedro II

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro pretende solicitar à Justiça a quebra de sigilo telefônico dos investigados por participação em um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, ocorrido em Copacabana, na zona sul da capital fluminense. A medida busca obter novas provas sobre a atuação do grupo suspeito.

De acordo com o delegado Ângelo Lages, da 12ª Delegacia Policial, os investigadores também tentam acessar dados de celulares e computadores de um adolescente denunciado por dois crimes de estupro e apontado como mentor dos ataques.

Pedido de apreensão de celular não foi autorizado

Segundo a polícia, o adolescente é suspeito de ter organizado os encontros que resultaram nas agressões. Os investigadores solicitaram à Justiça busca e apreensão dos equipamentos eletrônicos do jovem, além da internação do adolescente, mas os pedidos não foram atendidos até o momento.

Para o delegado responsável pelo caso, a análise dos aparelhos pode ajudar a esclarecer a participação dos envolvidos.

“O adolescente era a mente por trás disso tudo. Ele tinha a confiança das vítimas, até por ter tido relacionamentos anteriores com elas”, afirmou Ângelo Lages.

Entre os cinco jovens apontados como participantes do estupro coletivo registrado em janeiro, o adolescente é o único que não teve a internação determinada pela Justiça.

Em nota, o Ministério Público do Rio de Janeiro informou que novas medidas cautelares ainda podem ser solicitadas ao longo da investigação.

Outras vítimas procuraram a polícia

Após a repercussão do caso, outras duas vítimas procuraram a polícia para denunciar crimes semelhantes envolvendo integrantes do mesmo grupo.

Uma das denúncias foi feita por uma jovem que tinha 14 anos na época do crime, ocorrido em 2023, em um apartamento no bairro do Maracanã. Segundo o relato, ela foi estuprada pelo adolescente e por outros dois homens.

A vítima afirmou ainda que o abuso foi gravado e as imagens teriam sido usadas para ameaçá-la, o que aumentou o interesse da polícia em acessar os celulares dos suspeitos.

Em outro depoimento, uma segunda vítima relatou que a ação também foi filmada, o que levou os investigadores a identificar semelhanças na forma de atuação do grupo.

Polícia investiga possível emboscada

Segundo o delegado, os crimes teriam seguido um padrão semelhante. As vítimas eram atraídas por um dos suspeitos para encontros em apartamentos, onde outros homens já estariam presentes.

“Ela teve um relacionamento anterior com o adolescente que a atraiu até o apartamento e, chegando lá, havia mais dois homens que praticaram a violência sexual e agressões físicas”, explicou Ângelo Lages.

Para a polícia, os suspeitos podem ter combinado previamente as ações, algo que poderia ser confirmado com o acesso às mensagens e registros nos aparelhos eletrônicos.

Estudantes pedem expulsão de envolvidos

Após a divulgação do caso, o grêmio estudantil do Colégio Pedro II publicou uma nota nas redes sociais pedindo a expulsão dos alunos envolvidos, incluindo o adolescente investigado e Vitor Hugo Simonin.

A entidade afirmou que há relatos anteriores de envolvimento de estudantes em episódios de assédio e abuso, além do vazamento de vídeos envolvendo uma aluna.

A Polícia Civil também pretende procurar a direção da escola para verificar se há registros de denúncias anteriores relacionadas aos investigados.

Defesa nega participação no crime

A defesa de Vitor Hugo Simonin afirmou à imprensa que o cliente nega participação no estupro coletivo. Apesar das lesões constatadas em exame pericial na vítima, o advogado Ângelo Máximo afirmou que houve consentimento.

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