Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgados na segunda-feira (23) pela Folha de S.Paulo mostram que o Pará está entre os estados com maiores taxas de estupro de vulnerável do país em 2025. O estado aparece na quarta colocação do ranking nacional, com índice de 54,21 casos por 100 mil habitantes.
O levantamento indica que os estados da região Norte concentram os maiores índices do Brasil, com Roraima na liderança, seguido por Rondônia, Amapá, Pará e Acre, reforçando o cenário de alerta para a violência sexual contra crianças e adolescentes.
Ranking nacional e dados regionais
De acordo com os números oficiais, Roraima registrou 540 ocorrências em 2025, com taxa de 73,09, a mais alta do país. Em seguida aparecem Rondônia (70,55), Amapá (56,91), Pará (54,21) e Acre (51,11). O primeiro estado fora da região Norte é o Paraná, com índice de 44,34.
Em números absolutos, o Pará também figura entre os estados com mais registros, com 4.722 casos de estupro de vulnerável em 2025, atrás apenas de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
Perfil dos casos e subnotificação
Em todo o país, foram registrados 80.605 casos de estupro em 2025. Desse total, 57.329 foram classificados como estupro de vulnerável, o equivalente a 71% das ocorrências. A legislação considera esse crime quando a vítima tem menos de 14 anos ou não possui capacidade de consentir ou oferecer resistência.
Segundo a reportagem, o estupro de menores possui notificação compulsória pelos serviços de saúde e assistência social, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, o que contribui para maior volume de registros. Já os casos envolvendo adultos dependem, em grande parte, da iniciativa da vítima em procurar as autoridades.
Autoridades ouvidas pela Folha afirmam que parte do crescimento dos registros está relacionada à ampliação das investigações, ao fortalecimento dos canais de denúncia e à redução da subnotificação. A ausência de dados completos em anos anteriores em alguns estados também limita comparações históricas.
Os dados mostram ainda que 86% das vítimas são mulheres, enquanto 12,7% são homens. No Pará, os indicadores reforçam a necessidade de fortalecimento contínuo das políticas públicas de prevenção, acolhimento e investigação, diante da posição do estado entre os mais afetados pelo crime no país.
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