Líder indígena faz relato emocionado após revogação do Decreto 12.600: "lugar sagrado" - Estado do Pará Online

Líder indígena faz relato emocionado após revogação do Decreto 12.600: “lugar sagrado”

Revogação do decreto é celebrada como vitória histórica pelo povo Munduruku, que considera o Rio Tapajós território sagrado e símbolo de resistência na Amazônia

A líder indígena Alessandra Korap, conhecida popularmente como Alessandra Munduruku, comemorou nesta segunda-feira (23) a revogação do Decreto 12.600, que previa a dragagem do Rio Tapajós, no Pará. Em um relato emocionado, ela destacou a importância espiritual, cultural e ambiental do rio para o povo Munduruku, o mais numeroso da região do Médio Tapajós.

Chorando, a ativista afirmou que a vitória representa mais do que a suspensão de uma medida administrativa. Segundo ela, se trata da defesa de um território sagrado, marcado pela memória dos antepassados.

“Temos que proteger este rio, temos que proteger esta floresta. Este lugar é sagrado para nós. É o cemitério dos nossos antepassados, que foram massacrados aqui”, declarou.

Alessandra ressaltou ainda que a mobilização da juventude, das mulheres e das crianças foi fundamental para a conquista. “A força e a coragem da nossa juventude, das mulheres e das crianças vêm do rio. Não há outra explicação. Eles podem não saber, mas nós sabemos”, disse.

Em seu discurso, a líder indígena criticou duramente as pressões que, segundo ela, ameaçam os rios e os territórios tradicionais da região. “Eles estão destruindo nossos rios. Mas não vão conseguir. Somos movidos pelo rio, pela floresta, pela fé, pela coragem e pela resistência que temos hoje”, afirmou.

Para Alessandra Munduruku, a revogação do decreto simboliza um momento de vitória, mas também de alerta. Ela destacou que a luta continua diante de novos desafios. “Podemos parecer um povo pequeno, mas somos gigantes quando decidimos enfrentar. Sabemos que eles não vão parar, mas nós também não vamos. Somos o povo do Tapajós, um povo que resiste e que nunca deixará seu rio.”

A revogação do decreto foi recebida como uma conquista significativa pelos povos indígenas e por organizações socioambientais que defendem a preservação do Tapajós, considerado um dos principais rios da Amazônia brasileira.

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