O trânsito ficou complicado na manhã desta sexta-feira (19) na Avenida Governador José Malcher, no bairro de São Brás, em Belém. O bloqueio foi provocado por uma manifestação de servidores e trabalhadores terceirizados da saúde, que se concentraram em frente à sede da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).
Ônibus e carros precisaram desviar do trecho, e moradores e comerciantes da área também sentiram os efeitos da mobilização. A cabeleireira Ângela Maria, que trabalha próximo ao local, afirmou ter sido prejudicada pelo congestionamento e pela dificuldade de acesso dos clientes.
O ato reuniu servidores públicos e trabalhadores contratados por organizações filantrópicas que prestam serviços a hospitais municipais. Segundo Magno Cabral, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública do Pará (Sintesp-PA), cerca de 2.500 profissionais estão com os salários atrasados.
Ele afirma que o município não realizou o pagamento do Incentivo Financeiro Adicional (IFA), recurso repassado mensalmente pelo Ministério da Saúde para fortalecer o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE).
Serviços filantrópicos também são afetados
A presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Pará (SATE-PA), Marli Groeff, explicou que o problema atinge dezenas de trabalhadores que atuam em hospitais conveniados e instituições filantrópicas.
Segundo ela, o atraso compromete não apenas a renda dos profissionais, mas também o funcionamento de setores essenciais da rede municipal.
Uso do recurso estaria irregular
Representantes sindicais afirmaram que o valor do IFA — que deve ser destinado exclusivamente ao incentivo da Atenção Primária — teria sido utilizado pela Prefeitura para complementar o pagamento do 13º salário dos trabalhadores.
A prática é proibida pela legislação federal, já que o incentivo possui finalidade específica e não pode ser redirecionado para outras despesas de pessoal.
A categoria cobra que o município regularize os repasses e apresente um cronograma de pagamento. Até o momento, a Sesma não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
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