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Saiba como foi a entrevista de Gal Leite, candidata da UP ao Governo do Pará, à TVC

Candidata da Unidade Popular ao Governo do Pará participou da série de sabatinas da TVC Pará e apresentou propostas para áreas como saúde, meio ambiente e combate a violência contra a mulher

Por Mayra Peniche
02/09/2026 às 19:13 • 7 min

Foto: Pauly Paes / EPOL

A candidata ao Governo do Pará pela Unidade Popular (UP), Gal Leite, participou nesta quarta-feira (2) da série de entrevistas realizadas pela TVC Pará com os candidatos ao Governo do Estado. A sabatina conduzida pelo apresentador Thiago Barros abordou temas centrais para a administração do Estado, como saúde, meio ambiente e segurança pública.

Durante a sabatina, Gal Leite, candidata da UP ao Governo do Pará, apresentou sua trajetória profissional e social e detalhou propostas para áreas como saúde, segurança pública, assistência social, combate à violência contra a mulher e crimes ambientais.

Sem tradição política na família, Gal afirmou que sua aproximação com a vida pública nasceu da própria experiência profissional e da atuação em defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Trajetória na educação e assistência social

Gal contou que começou a trabalhar aos 13 anos, no Mobral, com atividades de alfabetização. Aos 18, ingressou na área da educação e, posteriormente, passou em concurso público, trabalhando na assistência social.

Foi durante a atuação em um abrigo para bebês e crianças em situação de vulnerabilidade que, segundo ela, passou a enxergar de forma mais direta as deficiências das políticas públicas. “Foi um trabalho que me ensinou muito, muito mesmo, a olhar para o ser humano como a gente deve olhar o ser humano, valorizar o ser humano.”

A falta de itens básicos nos abrigos, como fraldas, teria sido um dos fatores que levaram Gal à mobilização sindical. Para a candidata, a situação encontrada nos abrigos não era um problema isolado, mas consequência de uma deficiência estrutural da assistência social.

“Não era um problema só do nosso abrigo, era um problema de toda uma estrutura da assistência social em Belém, que ela é precarizada o tempo inteiro.”

Saúde pública

Na área da saúde, uma das principais propostas apresentadas por Gal é a retirada das Organizações Sociais (OSs) da administração dos hospitais estaduais e a retomada da gestão direta pelo Estado.

A candidata defende a realização de concursos públicos, o fortalecimento da Secretaria Estadual de Saúde e a descentralização dos serviços especializados para o interior.. A candidata também acredita que a saúde pública não deve ser administrada sob uma lógica de lucro.

“A saúde não deve ser tratada como mercadoria.”

Ela também argumenta que os recursos destinados à remuneração das organizações poderiam ser utilizados diretamente no fortalecimento da estrutura pública. Gal propôes que haja substituição do atual modelo e defende também concursos e maior presença da Secretaria de Saúde nos municípios.

Atendimento de saúde no interior

“Quando alguém adoece, por exemplo, com uma doença grave, como um câncer, para onde é que vem toda a população do Estado? Vem aqui para o Ophir, vem para o Barros Barreto”, ressaltou Gal. Na avaliação da candidata, os hospitais regionais poderiam absorver parte dessa demanda caso houvesse profissionais suficientes no interior e atrelou aa dificuldade ao atual modelo de gestão dos hospitais.

“A OS está interessada em lucrar. Então é muito fácil concentrar todos esses profissionais aqui na cidade.”

Segundo ela, a consequência é o aumento das filas e a dificuldade de acesso para pacientes que vivem fora da capital.

“E aí as filas ficam enormes, a gente não consegue acesso à saúde, mesmo tendo os hospitais regionais.”

Combate à violência contra a mulher

Na área de segurança pública, uma das principais preocupações apresentadas por Gal foi a estrutura de atendimento às mulheres vítimas de violência. A candidata defendeu a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), com funcionamento 24 horas, além da expansão da Casa da Mulher Brasileira e da rede estadual de abrigos.

Segundo Gal, a falta de atendimento especializado durante a noite deixa mulheres em situação de vulnerabilidade justamente em um período em que muitas agressões acontecem. Ela criticou o número reduzido de delegacias especializadas no Estado e afirmou que grande parte delas encerra o atendimento no fim da tarde.

“É à noite que não se tem essas delegacias para o atendimento dessas mulheres.”

A candidata também chamou atenção para a falta de alternativas para mulheres que precisam deixar suas casas para escapar de situações de violência. Na avaliação dela, a ausência de vagas em abrigos contribui para que muitas vítimas permaneçam vivendo com os próprios agressores.

“A maioria das mulheres vive com seu agressor porque ela não tem para onde ir.”

Gal defendeu ainda uma ampliação da Casa da Mulher Brasileira e uma maior integração entre Estado e municípios. Para ela, disputas políticas entre diferentes administrações acabam comprometendo o funcionamento de equipamentos que deveriam oferecer atendimento integrado às vítimas.

A candidata também apontou a insuficiência da rede de abrigamento em Belém. Segundo ela, a capacidade limitada faz com que o número nominal de vagas não represente necessariamente a quantidade de mulheres que podem ser acolhidas, já que muitas chegam acompanhadas de filhos.

Segurança pública e combate ao crime organizado

Para a segurança pública, o programa da UP propõe uma política baseada em prevenção, inteligência policial, controle democrático e respeito aos direitos humanos. Entre as medidas previstas estão o fortalecimento dos setores de inteligência, o uso de câmeras corporais, protocolos para reduzir o uso da força letal, auditorias independentes e maior participação das comunidades na discussão sobre segurança.

Gal também defendeu uma mudança na forma como o Estado enfrenta organizações criminosas. Em vez de concentrar as operações apenas na prisão de pessoas que estão na ponta das atividades ilegais, a candidata propõe utilizar inteligência para identificar financiadores, estruturas de comando e fluxos financeiros.

A mesma lógica, segundo ela, deve ser aplicada ao combate aos crimes ambientais.

Garimpo ilegal e crimes ambientais

Gal relacionou diretamente o garimpo ilegal, a grilagem de terras, a extração clandestina de madeira e o desmatamento à atuação de organizações criminosas. Para a candidata, essas atividades não podem ser tratadas de forma isolada, já que fazem parte de uma cadeia econômica que envolve financiamento, logística, exploração e comercialização.

“Quando a gente fala em crime organizado aqui no Pará, ele perpassa por aí. É a grilagem de terra, é a extração ilegal de minério, é o desmatamento para vender madeira, é desmatamento para botar soja.”

Na avaliação da candidata, operações pontuais que apreendem equipamentos e prendem trabalhadores diretamente envolvidos no garimpo não são suficientes para desmontar as estruturas responsáveis pelo financiamento das atividades.

Gal defendeu, portanto, uma atuação conjunta entre as forças estaduais e federais, com equipes especializadas e investigação financeira. O objetivo seria identificar quem fornece recursos para a compra de máquinas, quem financia a exploração ilegal e quem recebe os produtos extraídos clandestinamente.

“Não é só tacar fogo no maquinário lá no meio da floresta, mas quem comprou?”

Para a candidata, o combate efetivo às organizações criminosas exige que as investigações avancem para além dos trabalhadores que atuam diretamente nas áreas de exploração.

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