Roubos despencam nos rios do Pará após reforço na segurança - Estado do Pará Online

Roubos despencam nos rios do Pará após reforço na segurança

Presença permanente, novas bases e embarcações especializadas mudam a dinâmica da criminalidade fluvial e ampliam ações contra o tráfico e a violência

Bruno Cruz / Agência Pará

O número de roubos em rios do Pará caiu quase pela metade, enquanto as apreensões alcançaram o maior volume desde a criação do policiamento fluvial. O resultado é atribuído à expansão da presença policial, ao investimento em estrutura e à intensificação das operações ao longo de 2025.

Ao todo, 93 ocorrências de roubos fluviais foram registradas no último ano. Em comparação com 2021, quando houve 178 casos, a redução chega a 48%, segundo dados da Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac).

A queda nos crimes ocorre paralelamente a um salto expressivo na produtividade do Grupamento Fluvial (GFLU), que realizou 74 operações ao longo do ano, espalhadas por diferentes regiões do Estado.

As ações resultaram na apreensão de 4,1 toneladas de drogas, 14 toneladas de pescado, 23 armas e 2.717 metros cúbicos de madeira, além do cumprimento de 93 mandados judiciais e 78 prisões.

Durante as abordagens, foram fiscalizadas 2.267 embarcações e 99.409 pessoas. Também foram retirados de circulação 207 quilos de mercúrio, três lanchas, 243 celulares e 16 veículos recuperados.

Parte desse avanço está ligada ao reforço da frota fluvial, que passou a contar com lanchas blindadas e embarcações destinadas exclusivamente ao atendimento de crimes cometidos contra a mulher em áreas ribeirinhas.

Para o secretário de Segurança Pública, Ualame Machado, os números refletem uma mudança de postura no enfrentamento ao crime organizado nos rios.

“Fomos implacáveis no combate ao crime organizado, com apreensões significativas que ajudam a desarticular redes criminosas que dependem dos nossos rios. Nossa presença ostensiva foi crucial para devolver a ordem e a tranquilidade. A fiscalização rigorosa resultou na retirada de circulação de materiais ilícitos, armas e substâncias perigosas, ao mesmo tempo em que combatemos duramente a exploração ilegal de recursos naturais, como a pesca e a madeira predatória”, destacou.

O impacto das operações é ainda mais visível nas áreas onde funcionam bases fluviais integradas. Na base Candiru, que atende oito municípios do oeste paraense, os registros caíram de três ocorrências em 2024 para apenas duas em 2025.

Já na Base Antônio Lemos, em Breves, a redução foi considerada expressiva. Os roubos fluviais passaram de 44 casos em 2021 para apenas quatro em 2025, uma queda de 90,9%, associada ao patrulhamento contínuo e à presença ostensiva das forças de segurança.

Desde 2021, o Estado vem recebendo novos equipamentos para o policiamento fluvial. Atualmente, o sistema conta com 19 lanchas leves, seis lanchas blindadas, além de dezenas de motores e bases estratégicas distribuídas pela malha hidroviária.

A estrutura física do Grupamento Fluvial também passou por sua primeira grande reestruturação desde 2011, com nova sede equipada com alojamentos, armaria, auditório e salas operacionais.

O espaço reúne, de forma integrada, a Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Ambiental, fortalecendo a atuação conjunta nas ações preventivas e repressivas nos rios do Pará.

Para 2026, a expectativa é de ampliação da cobertura. Está prevista a instalação da Base Fluvial do Baixo Tocantins, no município de Abaetetuba, ampliando o alcance das operações em uma das regiões mais estratégicas do Estado.

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