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Policial militar e empresário são presos investigados por extorsão e assassinato

Homem está desaparecido desde 15 de julho; Polícia Civil apurou que suspeitos tentaram negociar a Saveiro da vítima e que policial militar alegou ter matado Diogo por dívida

Por Estado do Pará Online
18/08/2026 às 09:33 • 4 min

Foto: divulgação

O que começou como uma angustiante busca por um homem de 42 anos desaparecido no bairro do Mangueirão, em Belém, transformou-se em uma complexa investigação criminal. A Polícia Civil do Estado do Pará, por meio da Delegacia de Pessoas Desaparecidas e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), prendeu o cabo da Polícia Militar do Pará Walter Luiz Borges da Silva e o investigado Rafael Martins Donza, apontados como envolvidos no desaparecimento de Diogo Wagner Ladislau Vieira.

A operação cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Vara do Juiz de Garantias da Região Metropolitana de Belém, que fundamentou as ordens com base em indícios do crime de extorsão mediante sequestro e na urgência de preservar provas.

A linha do tempo: do sumiço atípico à mobilização de familiares

Diogo Wagner foi visto pela última vez na noite de 15 de julho de 2026. A ausência repentina de contatos e a falta de respostas às mensagens enviadas por pessoas próximas acenderam o alerta entre familiares, que consideraram o comportamento atípico, já que Diogo mantinha rotina de comunicação frequente. O registro do desaparecimento foi oficializado na Polícia Civil no dia 17 de julho.

Diante da falta de notícias, pessoas próximas foram até a residência de Diogo, localizada no bairro do Mangueirão. No imóvel, encontraram uma situação considerada incomum pela família, embora sem marcas aparentes de sangue ou sinais de luta, com objetos de valor mantidos no local. O veículo da vítima – uma caminhonete Volkswagen Saveiro Cross prata (placa OTA2E66) – também havia sumido.

Tentativa de venda do veículo, confissão de morte e prisões

No decorrer das diligências da Delegacia de Pessoas Desaparecidas, surgiram informações cruciais: terceiros estariam negociando a Saveiro prata da vítima através de grupos e contatos no WhatsApp.

O avanço das investigações reuniu provas que ligaram diretamente o cabo PM Walter Borges e Rafael Donza à cadeia de posse, ocultação e negociação do automóvel. Conforme os autos do inquérito policial:

  • Intermediação do Veículo: O cabo Walter Borges teria atuado na destinação e negociação da caminhonete subtraída;
  • Confissão de Homicídio: O policial militar afirmou ter executado Diogo Wagner motivado por uma suposta dívida;
  • Interferência: Walter é investigado por ter ameaçado testemunhas e tentado coagir o andamento do inquérito.

Rafael Donza foi localizado e preso em seu apartamento no Edifício San Marco, em Belém. Já o cabo PM Walter Borges, que não estava em sua residência, foi localizado e preso no município de Apicum-Açu, no Maranhão, em uma ação conjunta entre a CORE/PCPA e a equipe da Delegacia de Pessoas Desaparecidas. Com ele, no Maranhão, foi apreendida uma pistola e dois celulares.

Apreensão de arsenal de drogas sintéticas e prisão em flagrante

Paralelamente, equipes cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Walter Borges, localizada na Avenida São Pedro, no bairro do Sideral, em Belém. No quarto do suspeito, os agentes encontraram um verdadeiro entreposto de material ilícito:

  • Drogas Sintéticas e Entorpecentes: Cerca de 5.600 comprimidos de ecstasy (“bala/doce”), 16 invólucros de cocaína, uma grande porção de maconha e 32 unidades de oxi;
  • Apetrechos para o Tráfico: Cinco balanças de precisão, diversos sacos ziplock, um notebook e um caderno com anotações de contabilidade de venda de drogas;
  • Materiais de Crime: Um aparelho celular com registro de roubo, munições de diversos calibres (de uso permitido e restrito), carregadores de pistola municiados e caixas de armas de fogo.

Diante dos achados, o policial militar foi autuado em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas, receptação e posse ilegal de munições de uso permitido e restrito.

Buscas continuam pelo corpo de Diogo e pelo veículo

A Polícia Civil ressalta que, apesar do cumprimento das ordens de prisão e do desmantelamento do esquema, o paradeiro de Diogo Wagner permanece desconhecido e a caminhonete Saveiro ainda não foi localizada. As investigações permanecem ativas para localizar a vítima, recuperar o veículo e identificar se houve a participação de outros envolvidos no crime.

Como ajudar:

Qualquer informação sobre a localização de Diogo Wagner ou da Saveiro Cross prata (placa OTA2E66) pode ser repassada de forma anônima ao Disque-Denúncia (181) ou via WhatsApp no (91) 3210-0181. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.

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