Política

PF investiga Flávio Bolsonaro por corrupção e lavagem de dinheiro em esquema ligado ao Banco Master

Inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça apura atuação do senador na busca de recursos de Daniel Vorcaro para “Dark Horse”; Flávio admite ter procurado o banqueiro, mas nega irregularidades

Por Daniel Vinagre
11/09/2026 às 09:46 • 3 min
Montagem com as fotos de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Flávio Bolsonaro mudou sua versão sobre a relação com Daniel Vorcaro após a divulgação de áudios e documentos. Foto: reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são dos jornalistas Cleber Lourenço, Juliana Dal Piva e Paulo Motoryn, do ICL Notícias.

Segundo a reportagem, o inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação foi formalmente aberta no dia seguinte e tramita sob sigilo.

A PF apura a participação de Flávio na obtenção e cobrança de recursos junto a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Dados extraídos do celular do banqueiro teriam revelado mensagens, ligações e registros de encontros entre os dois relacionados ao financiamento da produção.

Os investigadores afirmam que o senador aparece como “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas. Os contatos remontam a dezembro de 2024, quando uma reunião teria sido articulada para discutir, entre outros assuntos, o “filme do presidente”. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) também participaria do encontro por ser apontado como idealizador do projeto.

De acordo com o ICL, a PF identificou US$ 12,33 milhões enviados ao longo de 2025 pela Entre Investimentos ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e utilizado no financiamento de “Dark Horse”. Um acordo encontrado nas comunicações de Vorcaro previa investimento total de US$ 24 milhões.

Em 8 de setembro de 2025, Flávio teria enviado um áudio cobrando pagamentos e demonstrando preocupação com a possibilidade de a produção ficar inadimplente com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

A PF também destacou uma ligação entre Flávio e Vorcaro em 16 de setembro, no mesmo dia da última remessa identificada para o fundo nos Estados Unidos. Os próprios investigadores ressaltam, no entanto, que a coincidência temporal não comprova, isoladamente, que a conversa tenha provocado a transferência. Os contatos continuaram nos meses seguintes.

PGR quer apurar eventual contrapartida

Ao analisar os elementos, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Vorcaro poderia ter obtido uma possível “promessa de apoio ou interferências do próprio Senador”. Gonet ponderou, porém, que ainda seria necessário identificar eventual ato praticado por Flávio no exercício do mandato que estabelecesse relação entre o financiamento do filme e sua atuação parlamentar.

Por isso, a PGR pediu que sejam verificadas propostas legislativas apresentadas ou apoiadas pelo senador que possam ter beneficiado o Banco Master, empresas ligadas à instituição ou Daniel Vorcaro.

Até o momento, segundo a reportagem, os documentos conhecidos não apontam um ato parlamentar específico de Flávio em benefício de Vorcaro. Esse é justamente um dos pontos que o novo inquérito pretende esclarecer.

A abertura da investigação também não significa que os crimes tenham sido comprovados. A PF recebeu autorização para aprofundar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e eventuais outros delitos relacionados ao financiamento internacional do filme.

Flávio Bolsonaro admite ter procurado Vorcaro para buscar recursos para “Dark Horse”, mas nega qualquer irregularidade.

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