Parques estaduais destacam o Pará no turismo sustentável - Estado do Pará Online

Parques estaduais destacam o Pará no turismo sustentável

No Dia Internacional das Montanhas, parques destacam biodiversidade, acervos arqueológicos e atividades sustentáveis que movimentam regiões do Araguaia ao Baixo Amazonas.

Foto: Bruno Cruz/Ag. Pará

Nas paisagens do Pará onde a floresta se ergue em formações rochosas, dois parques estaduais chamam atenção pela combinação de natureza preservada, registros ancestrais e oportunidades para o turismo de baixo impacto. É o caso da Serra dos Martírios/Andorinhas, no sudeste do estado, e do Parque Estadual de Monte Alegre, referência no oeste paraense.

As duas áreas de conservação se tornam ainda mais simbólicas neste 11 de dezembro, quando é celebrado o Dia Internacional das Montanhas, data que reforça a importância desses ecossistemas para o clima, para a diversidade biológica e para o conhecimento sobre a ocupação humana na Amazônia.

Em São Geraldo do Araguaia, a Serra das Andorinhas se destaca por estar localizada em uma região de transição entre Amazônia e Cerrado. O contraste entre os biomas cria condições ideais para altas taxas de biodiversidade.

Segundo a gerente da Região Administrativa do Araguaia do Ideflor-Bio, Laís Mercedes, o parque concentra espécies típicas dessa zona híbrida e tem papel decisivo na preservação ambiental e na vida das comunidades próximas.

“A Serra da Andorinhas forma um refúgio de biodiversidade, com espécies típicas dessa zona de transição, além de regular o microclima e proteger nascentes. Também tem grande valor cultural e histórico, por abrigar um dos maiores conjuntos de arte rupestre a céu aberto do Norte do Brasil. Oferece trilhas, cachoeiras, cavernas e sítios arqueológicos que podem ser visitados de forma sustentável, gerando renda para comunidades locais”, explicou.

Além das gravuras ancestrais, o parque reúne trilhas que levam a cachoeiras, formações rochosas e cavernas que reforçam o potencial para atividades guiadas de aventura e contemplação.

No Baixo Amazonas, o Parque Estadual de Monte Alegre abriga alguns dos mais antigos vestígios da presença humana na região. As formações das serras do Bode, Ererê e Paytuna guardam camadas geológicas que atravessam milhões de anos.

O condutor de trilhas da Calha Norte I, Mazinho Brito, explica que essas áreas sempre foram ponto de passagem de povos ancestrais, que utilizaram abrigos naturais para sobrevivência.

“Nas serras do Bode, Ererê e Paytuna existem diversas grutas, cavernas e abrigos formados há milhões de anos, que serviram como moradia de povos primitivos. A Serra da Paytuna, por exemplo, guarda os registros mais antigos da passagem humana em nossa Amazônia. O sítio arqueológico de Monte Alegre tem cerca de 12 mil anos”, afirmou.

“A presença do condutor é essencial, pois conhecem as trilhas, os monumentos naturais e suas histórias. É fundamental respeitar o meio ambiente e os sítios arqueológicos, especialmente as pinturas rupestres”, reforçou.

O interesse por atividades ao ar livre também impulsiona um movimento crescente dentro das unidades de conservação do estado. Para o gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio e presidente da Rede Brasileira de Trilhas, Júlio Meyer, o montanhismo e o ecoturismo têm potencial para consolidar novos modelos de desenvolvimento.

“As montanhas estão presentes em várias unidades de conservação estaduais, com destaque para Monte Alegre e a Serra das Andorinhas. O ecoturismo de montanha é uma atividade fundamental, que deve ser amplamente divulgada e valorizada como vetor de desenvolvimento sustentável”, enfatizou.

Da arte rupestre às cavernas, dos paredões rochosos às comunidades que vivem do turismo local, os parques montanhosos do Pará reforçam seu valor não apenas como patrimônio natural, mas como espaços vivos de memória, ciência e oportunidade.

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