Pará diz não à violência contra a mulher: campanha cobra respostas e expõe silêncio de órgãos públicos - Estado do Pará Online

Pará diz não à violência contra a mulher: campanha cobra respostas e expõe silêncio de órgãos públicos

Série especial do Alerta Pará revela quais instituições estão agindo — e quais ainda não se posicionaram diante do aumento de 76% na violência contra mulheres no estado

Mulheres que sofreram violência no PA em março deste ano

A escalada da violência contra a mulher no Pará acendeu um alerta e motivou o lançamento da campanha “O Pará diz não à violência contra a mulher — porque quem denuncia, protege”, realizada pelo Alerta Pará, da TVC, em parceria com o Portal Estado do Pará Online.

A iniciativa surge após a divulgação do boletim “Elas Vivem: a urgência da vida”, que aponta um crescimento de 76% nos casos de violência contra mulheres no estado — um cenário considerado grave e que exige respostas concretas das instituições públicas.

Como parte da campanha, a reportagem entrou em contato com diferentes órgãos para entender quais ações estão sendo realizadas no enfrentamento à violência de gênero, os principais desafios e quais orientações podem ser repassadas à população.

Responderam à solicitação a Polícia Civil do Pará, a Secretaria Municipal da Mulher de Belém (Comus) e a Câmara Municipal de Belém, que apresentaram medidas em andamento.

Por outro lado, até o fechamento desta matéria, não houve retorno por parte do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), da Polícia Militar do Pará, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA) e da Secretaria de Estado das Mulheres do Pará (SEMU).

Ações apresentadas

Entre as iniciativas destacadas, a Polícia Civil informou o fortalecimento das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs), responsáveis pela investigação de casos de violência doméstica e feminicídio, além da realização de operações para cumprimento de mandados de prisão contra agressores.

A Secretaria Municipal da Mulher de Belém ressaltou o atendimento integrado às vítimas, com suporte psicológico, social e jurídico, além da promoção de campanhas educativas e ações de conscientização em comunidades da capital.

Já a Câmara Municipal destacou a atuação legislativa com a aprovação de projetos voltados à proteção das mulheres, incluindo medidas de prevenção à violência e incentivo à denúncia, além da composição de uma bancada feminina composta por 5 vereadoras, atéo momento. Elas são: Vivi Reis (PSOL), Marinor Brito (PSOL), Ágatha Barra (PL),

Apesar dessas iniciativas, o silêncio de parte das instituições também chama atenção, especialmente diante do avanço dos casos e da necessidade de atuação conjunta entre os órgãos de segurança, justiça e assistência social.

Casos que marcaram março de 2026

Os números ganham ainda mais peso quando se traduzem em histórias reais. Apenas no mês de março, episódios de extrema violência foram registrados em diferentes regiões do Pará.

Em Icoaraci, distrito de Belém, Ivone da Costa Bessa, de 54 anos, foi morta enquanto dormia. O corpo foi encontrado carbonizado após um incêndio dentro do quarto. O principal suspeito é o próprio irmão gêmeo, que foi preso e deve responder por feminicídio e ocultação de cadáver.

No município de Tomé-Açu, Alciely de Almeida, de 32 anos, foi brutalmente espancada pelo companheiro após ser perseguida. Segundo relatos, ela sofreu mais de 80 agressões. O suspeito foi preso e autuado por tentativa de feminicídio.

Já em Igarapé-Miri, no nordeste paraense, Maria do Socorro Guimarães, de 60 anos, foi assassinada a facadas dentro de casa. O ex-companheiro é apontado como autor do crime e foi preso após fugir.

Em Ananindeua, uma jovem foi vítima de importunação sexual nos fundos de uma escola, no bairro do Paar. O suspeito, um motoqueiro, ainda não foi identificado.

Outro caso que gerou forte repercussão foi a condenação do cantor Bruno Mafra, sentenciado a mais de 30 anos de prisão por abuso sexual contra as próprias filhas. Os crimes ocorreram durante a infância das vítimas e envolveram manipulação psicológica.

A importância da denúncia

Diante desse cenário, especialistas reforçam que denunciar é fundamental para interromper o ciclo da violência. Canais como o Disque 180 e as delegacias especializadas seguem como principais portas de entrada para vítimas que buscam ajuda.

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