O deputado federal Nikolas Ferreira afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que o apoio do Partido Liberal (PL) à proposta de mudança na jornada de trabalho para a escala 4×3 teria como objetivo expor os impactos econômicos da medida antes das eleições.
Na gravação, Nikolas declara que o partido não apoia a proposta por concordar com ela, mas para que os efeitos negativos atribuídos por ele à medida sejam percebidos pela população. “Existe um meio de abrir os olhos das pessoas, que é apoiar não somente a 5 por 2, mas apoiar a 4 por 3 que seja vigorado amanhã e que a quebradeira comece antes das eleições”, afirmou o deputado.
Durante o vídeo, o parlamentar também disse que “para melhorar, tem que piorar” e comparou a situação à necessidade de “deixar com que ele cometa o crime” para provar que “um criminoso é criminoso”.
Nikolas argumentou ainda que, na avaliação dele, a esquerda utiliza medidas populares para manter apoio político e afirmou que o PL pretende associar eventuais problemas econômicos decorrentes da proposta aos partidos de esquerda. “A gente não vai apoiar porque a gente concorda com essa medida populista irresponsável, não. Porque a gente quer mostrar que quando der merda, a culpa é deles”, declarou.
A fala ocorre após integrantes do PL passarem a defender o avanço da PEC 8/2025, que trata da reorganização da jornada de trabalho e ganhou repercussão nacional com o debate sobre o fim da escala 6×1.

Apesar do discurso de Nikolas direcionar críticas à esquerda, a composição atual da Câmara dos Deputados mostra predominância de partidos de direita. Hoje, legendas consideradas de esquerda somam cerca de 121 deputados (o equivalente a 23,6% da Casa) incluindo PT, PSB, PDT, PCdoB, PSOL, Rede e PV. O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, possui 56 parlamentares.
Já os partidos alinhados à direita concentram aproximadamente 254 deputados, o que representa 49,5% da Câmara. Outros 138 parlamentares, cerca de 26,9%, integram partidos classificados como de centro.
A composição mostra que pautas de proposição da base do governo dependem também do apoio de setores conservadores e de centro-direita para avançar no Congresso.
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