O Ministério Público do Pará (MPPA) denunciou o médico Felipe Almeida Nunes, 30 anos, pela prática de feminicídio qualificado tentado e injúria real contra a namorada, de 27 anos. A denúncia foi protocolada na última segunda-feira (17), referente ao caso ocorrido em 26 de outubro, no bairro Umarizal, em Belém, quando a vítima foi arrastada por mais de um quarteirão após se pendurar na porta do veículo conduzido pelo acusado. Segundo o MPPA, o carro percorreu cerca de 244 metros empurrando a mulher pelo asfalto.
De acordo com a Promotoria, após a queda da vítima, Felipe fugiu sem prestar socorro, deixando-a gravemente ferida. Para a 1ª Promotoria de Justiça de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Belém, a conduta demonstrou intenção de matar, utilizando um meio que impossibilitou qualquer defesa da vítima. O órgão afirmou ainda que o acusado tinha plena consciência do risco de morte ou de lesões gravíssimas, configurando dolo.
O Ministério Público destacou que a materialidade e autoria do crime estão comprovadas por depoimentos da vítima e de testemunhas, laudo de corpo de delito e imagens de câmeras de segurança, que registraram o momento em que a mulher foi arrastada em alta velocidade. As lesões sofridas incluem deformidades permanentes, escoriações extensas, múltiplas fraturas dentárias e perda de dentes — ferimentos compatíveis com tentativa de feminicídio, segundo o órgão.
A Promotoria também apontou que as imagens revelaram lesões autoinfligidas por Felipe, o que teria sido uma tentativa de atribuir à vítima agressões inexistentes, na tentativa de se eximir de responsabilidade.
Prisão e investigação
O crime ocorreu na madrugada de 27 de outubro. Após quatro dias foragido, o médico foi preso na noite de 30 de outubro e levado à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), onde prestou depoimento. Ele foi autuado em flagrante por tentativa de feminicídio. A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para esclarecer a motivação e demais circunstâncias do caso, reforçando que “nenhuma justificativa é aceitável para tamanha violência”.
Posição do CRM-PA
O Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) informou que Felipe Nunes não estava em exercício profissional no momento do crime e que o caso será tratado na esfera criminal e cível, não havendo, por ora, implicações diretas no âmbito ético-profissional.
O médico segue à disposição da Justiça.
Leia também:










Deixe um comentário