O Senado Federal rejeitou, na noite de quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O placar final foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, configurando uma derrota inédita para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão marca a primeira vez, desde 1894, que o Senado barra um indicado ao STF, tornando o episódio um marco histórico na relação entre Executivo e Legislativo.
Da confiança à derrota
O dia começou com clima de otimismo no Palácio do Planalto. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), chegou a projetar cerca de 45 votos favoráveis à aprovação de Messias.
A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) teve início pouco antes das 10h e se estendeu por cerca de oito horas. Ao final, o colegiado aprovou o nome por 16 votos a 11, resultado que, apesar de positivo, já indicava dificuldades no plenário.
Ao longo da tarde, aliados passaram a demonstrar preocupação com a contagem de votos. Assessores intensificaram articulações nos corredores do Senado, tentando reverter resistências.
Mobilização e bastidores
A votação mobilizou lideranças políticas e dirigentes partidários. Estiveram presentes no Senado nomes como Ciro Nogueira (PP), Marcos Pereira (Republicanos) e João Campos (PSB).
Mesmo afastada por licença médica, a senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) compareceu ao plenário para votar, chegando ao local por volta das 18h50, usando máscara.
Outro momento que chamou atenção foi a interação entre Jaques Wagner e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em tom descontraído, durante a sessão.
Resultado e repercussão
O resultado foi anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pouco depois das 19h, em meio a clima de euforia entre oposicionistas.
Jorge Messias acompanhou a votação pela televisão, na liderança do governo. Após a derrota, foi consolado por aliados, incluindo o ministro da Defesa, José Múcio, e o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP).
Em declaração à imprensa, Messias afirmou que aceita o resultado e que não considera o episódio como o fim de sua trajetória.
Próximos passos
Após a votação, Messias seguiu para o Palácio da Alvorada, onde se reuniu com o presidente Lula para avaliar os fatores que levaram à derrota e discutir a reação do governo.
O Planalto deve agora redefinir sua estratégia política e avaliar novos caminhos para a indicação ao STF.
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