Política

‘Liberei mais uma hoje’: revista revela novos repasses milionários de Vorcaro a filme de Bolsonaro

Relatório registra envio de US$ 1,66 milhão para fundo ligado ao financiamento de ‘Dark Horse’, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Por Estado do Pará Online
01/09/2026 às 16:38 • 4 min

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, havia realizado seu último pagamento para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, em maio de 2025. Uma reportagem exclusiva da revista Piauí, publicada nesta terça-feira (1º), porém, aponta que o banqueiro teria continuado repassando recursos ao projeto nos meses seguintes.

Segundo a publicação, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma transferência de US$ 1.666.667 realizada em 16 de setembro de 2025. O dinheiro foi enviado ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos utilizado para administrar recursos destinados à produção do filme.

A movimentação ocorreu oito dias depois de Flávio ter cobrado de Vorcaro o pagamento de parcelas que estavam em atraso. As cobranças já haviam sido reveladas anteriormente pelo Intercept Brasil.

A existência da transferência de setembro entra em contradição com a declaração dada por Flávio em entrevista à GloboNews. Ao comentar sua relação com o empresário e o financiamento do longa-metragem, o senador afirmou que Vorcaro não fazia novos aportes havia meses e que o último pagamento teria sido realizado em maio de 2025.

Com o novo registro identificado pelo Coaf, os valores comprovadamente enviados por Vorcaro para o projeto passaram de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões. Considerando a cotação da época, o montante supera R$ 65 milhões.

Mensagens indicam possível pagamento em outubro

A reportagem da piauí também aponta que os repasses podem ter continuado depois de setembro. A revista teve acesso a conversas inéditas, realizadas em outubro de 2025, entre Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos para “Dark Horse”.

Nas mensagens, Miranda cobra o pagamento de parcelas que estavam atrasadas e alerta para o risco de paralisação da produção. Em resposta, Vorcaro afirma que havia autorizado mais uma transferência naquele mesmo dia.

O publicitário diz que comunicaria os responsáveis pelo projeto e menciona que Flávio Bolsonaro pretendia entrar em contato com o banqueiro. Vorcaro, por sua vez, pede que suas desculpas pelo atraso fossem transmitidas ao senador.

Se a nova parcela, estimada em aproximadamente US$ 1,6 milhão, realmente tiver sido transferida, como indicado por Vorcaro na conversa, os recursos destinados por ele ao filme podem chegar a cerca de US$ 14 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 72 milhões.

O acordo de financiamento de “Dark Horse” previa um investimento total de US$ 24 milhões, valor estimado em cerca de R$ 134 milhões. O pagamento registrado em setembro seria a sétima parcela enviada por determinação de Vorcaro. A operação mencionada nas mensagens de outubro corresponderia à oitava.

Investigação analisa caminho dos recursos

Outro aspecto investigado é a maneira como os recursos deixavam o Brasil e chegavam aos Estados Unidos. De acordo com a piauí, o dinheiro não era transferido diretamente de empresas relacionadas a Vorcaro para a Go Up Entertainment LLC, produtora responsável pelo filme.

Os recursos percorriam diferentes etapas. Primeiro, passavam por Antonio Freixo Junior, conhecido como “Mineiro” e proprietário da Entre Investimentos e Participações. Depois, eram encaminhados ao Havengate Development Fund, registrado no Texas.

O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, especializado em imigração e apontado como amigo de Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive nos Estados Unidos.

A investigação procura determinar quanto dos valores recebidos pelo Havengate foi efetivamente direcionado à produção de “Dark Horse”. Também está sendo analisada a possibilidade de parte do dinheiro ter permanecido no fundo ou recebido outra destinação.

A relação de Eduardo Bolsonaro com os recursos administrados pelo Havengate também aparece entre os pontos que estão sendo apurados.

Procurado pela revista piauí para explicar a declaração de que os pagamentos haviam sido encerrados em maio e esclarecer o valor efetivamente repassado por Vorcaro ao projeto, Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos. A assessoria do senador informou que dúvidas sobre novos pagamentos deveriam ser direcionadas à produtora do filme.

Com informações da revista Piauí, em reportagem exclusiva publicada nesta terça-feira (1º).

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