Influenciadores Carter Batista e Caio Cappi se unem à Parada pelo Clima contra ameaças ao futebol paraense - Estado do Pará Online

Influenciadores Carter Batista e Caio Cappi se unem à Parada pelo Clima contra ameaças ao futebol paraense

Estudo do Terra FC aponta que eventos climáticos extremos podem reduzir valor de mercado dos finalistas do Parazão em até R$ 55 milhões nos próximos 25 anos.

Mascotes de Remo e Paysandu se unem à iniciativa.
Divulgação/FPF

Paysandu e Remo disputam a grande final do Parazão 2026 neste domingo (8), às 17h, mas também enfrentam um adversário em comum: a mudança climática. Belém, casa das duas equipes e do Mangueirão, palco da decisão, está entre as cidades com alto risco de inundações severas e incêndios florestais nos próximos 25 anos, segundo pesquisa do Terra FC realizada pela consultoria ERM (Environmental Resources Management). A estimativa é que os clubes possam sofrer desvalorização de até R$ 55 milhões no período.

Por isso, a Federação Paraense de Futebol (FPF), em parceria com o Terra FC, criou a Parada pelo Clima, iniciativa que ao longo de todo o campeonato alertou para como essas transformações já impactam o futebol, com um tema diferente a cada rodada. Na decisão, a ação contará com a participação dos influenciadores Carter Batista, do “Esse dia foi louco”, e Caio Cappi, para mostrar que o maior rival
não está do outro lado do gramado – e todos precisam entrar em campo juntos em defesa do clima.

“A Parada pelo Clima posicionou o Parazão na vanguarda da sustentabilidade no esporte nacional. Foram dez rodadas reforçando ao público a necessidade de união. O pioneirismo da FPF demonstra o papel estratégico do futebol na proteção da nossa Amazônia, do nosso país e do nosso esporte. Essa é uma responsabilidade coletiva”, apontou Ricardo Gluck-Paul, presidente da Federação Paraense de
Futebol e vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Ainda segundo pesquisa do Terra FC, o futebol brasileiro está diretamente exposto aos efeitos da crise climática. Dos 60 clubes que disputaram as Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro em 2025, 47 estão sediados em cidades com alto risco de enfrentar eventos climáticos extremos nos próximos 25 anos. As perdas potenciais em valor de mercado podem alcançar cerca de R$ 70 bilhões ao longo das
próximas décadas.

Os impactos financeiros não se restringem às partidas e ao calendário esportivo. Incluem danos à infraestrutura dos estádios, aumento de custos de manutenção, redução de bilheteria e premiações, além de prejuízos logísticos. A dupla Re-Pa está entre os clubes com maior exposição a diferentes tipos de eventos severos nesse período, ao lado de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco da Gama, do
Rio de Janeiro, e do Athletic Club, de São João del Rei (MG).

Para Laura Moraes, diretora de Campanhas do Terra FC, a mobilização é essencial. “O futebol é inseparável da sociedade e da economia do país, movimenta cadeias produtivas, empregos e identidades comunitárias. Diante do risco de danos estruturais e financeiros que podem se tornar permanentes, é urgente incorporar estratégias de adaptação e mitigação climática à governança e ao planejamento do
setor esportivo”, afirma.

Futebol em risco

O Parazão 2026 é pioneiro ao transformar a pausa técnica dos jogos em Parada pelo Clima, um espaço de conscientização climática. Jogos adiados, danos a estádios causados por enchentes e prejuízos logísticos já fazem parte da realidade do futebol brasileiro.

A iniciativa, que teve início ainda na Supercopa Grão-Pará, exibiu em cada uma das 10 rodadas do Parazão 2026 (seis da primeira fase, uma das quartas, uma da semi e duas da final) vídeos nos telões, mensagens de locução e inserções nas transmissões da TV Cultura e do Canal do Benja. A cada rodada com um novo
tema, chamando a atenção para diferentes questões climáticas, como a crise hídrica e o aumento de temperatura.

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