Infectologista explica polêmica sobre garças na Praça Batista Campos após morte de fisioterapeuta - Estado do Pará Online

Infectologista explica polêmica sobre garças na Praça Batista Campos após morte de fisioterapeuta

Caso viralizou após divulgação por portal local e gerou críticas sobre possível interpretação equivocada

Publicação de portal de notícias de Belém deu origem à repercussão e ao debate nas redes sociais. (Foto: reprodução)

A repercussão da morte de um fisioterapeuta de 53 anos, inicialmente associada ao contato com fezes de garças na Praça Batista Campos, gerou debate nas redes sociais e críticas à forma como o caso foi apresentado. A notícia viralizou e levantou questionamentos sobre a possível responsabilização direta das aves, com o risco de interpretações que possam estimular reações contra os animais.

Diante da repercussão, o infectologista Lourival Marsola publicou um vídeo explicando o quadro e esclarecendo pontos que, segundo ele, foram mal compreendidos. “Não é a garça. Nunca foi. O problema não é cair fezes em você”, afirmou. Para o especialista, a infecção não deve ser associada a um contato pontual, mas sim a um contexto ambiental mais amplo.

Segundo Marsola, o caso pode estar relacionado ao fungo Cryptococcus, bastante conhecido na medicina e responsável por quadros graves de infecção, especialmente em regiões tropicais. Esse micro-organismo está presente em fezes de aves, principalmente quando ressecadas, e pode se dispersar no ambiente em forma de partículas microscópicas.

A transmissão ocorre, principalmente, por meio da inalação dessas partículas suspensas no ar. Ao serem aspiradas, elas chegam aos pulmões e podem, em alguns casos, atingir a corrente sanguínea e o sistema nervoso central.

“Esse fungo pode causar uma meningite grave, de evolução arrastada, que muitas vezes deixa sequelas e pode levar à morte”, explicou o médico.

A repercussão da notícia gerou críticas e levantou alertas sobre interpretações que podem incentivar ataques às aves. (Foto: reprodução)

O especialista ressaltou que o risco está associado à exposição frequente a ambientes com grande acúmulo de dejetos de aves, e não a um episódio isolado.

Por isso, a recomendação é evitar áreas com alta concentração desses animais, especialmente quando há acúmulo visível de fezes. Em situações inevitáveis, o uso de máscara pode ajudar a reduzir a inalação das partículas.

Leia também: