Indígenas de diversas etnias interditaram, no início da tarde desta quarta-feira (4), a via que dá acesso ao aeroporto de Santarém, no oeste do Pará. A ação faz parte de uma série de manifestações que já duram quase duas semanas na cidade e têm como principal pauta a contestação à implantação da hidrovia do Tapajós sem a realização de consulta livre, prévia e informada às comunidades tradicionais potencialmente afetadas.
Até então, o grupo mantinha a ocupação do terminal de cargas da multinacional do agronegócio Cargill. Com o passar dos dias, a mobilização ganhou força e, segundo os organizadores, passou de cerca de 150 participantes na semana passada para aproximadamente 700 indígenas, oriundos de povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós.
Desde o dia 22 de janeiro, as lideranças reivindicam a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que incluiu mais de 3 mil quilômetros de rios da Amazônia Legal no Programa Nacional de Desestatização (PND). Entre os trechos contemplados estão partes dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Os manifestantes também exigem a suspensão imediata das obras de dragagem no rio Tapajós, alegando que o processo teria sido iniciado antes da finalização dos estudos ambientais exigidos por lei.
As comunidades indígenas afirmam que o governo federal descumpriu compromissos assumidos anteriormente. Em novembro do ano passado, representantes do Executivo teriam garantido que não haveria avanço em projetos no rio Tapajós sem a devida consulta às populações afetadas, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.
Uma reunião presencial prevista para a última sexta-feira (30) não ocorreu após a ausência de representantes do governo em Santarém. Segundo o movimento, a presença física das autoridades é condição essencial para qualquer negociação. Em encontros anteriores, o governo teria enviado representantes de segundo escalão para reuniões virtuais, o que foi considerado insuficiente pelas lideranças.
Agora, os indígenas aguardam uma nova reunião ainda nesta quarta-feira (4), desta vez com a participação presencial de representantes do governo federal e a mediação do Ministério Público Federal (MPF). O órgão já emitiu recomendações alertando para a necessidade de estudos ambientais adequados e da realização de consultas às comunidades tradicionais antes de qualquer intervenção no rio Tapajós.
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