Política

Helder Barbalho segue como protagonista da eleição paraense de 2026, mas segunda vaga ao senado é uma incógnita

Por Estado do Pará Online
19/06/2026 às 10:29 • 6 min
Helder Barbalho na inauguração da Usina da Paz de Itaituba.

Helder Barbalho na inauguração da Usina da Paz de Itaituba. Foto: Bruno Cruz. Ag. Pará.

A disputa pelo Governo do Pará em 2026 ainda está longe de apresentar um favorito consolidado. Embora os nomes da governadora Hana Ghassan e do ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos apareçam na dianteira das pesquisas divulgadas até aqui, o cenário permanece aberto e marcado por um elevado índice de indecisos, o que impede qualquer conclusão precipitada sobre quem será o próximo ocupante do Palácio dos Despachos.

Se há uma certeza no atual processo eleitoral, ela atende pelo nome de Helder Barbalho. Mesmo não sendo candidato ao Governo do Estado, o ex-governador permanece como o principal protagonista político da eleição de 2026. Seu legado administrativo, sua capacidade de articulação e a ampla coalizão construída ao longo dos últimos anos fazem dele o maior influenciador da disputa estadual.

A sucessão estadual gira em torno de sua liderança. Hana Ghassan representa a continuidade do projeto político e administrativo construído pelo grupo governista, enquanto Daniel Santos se apresenta como principal alternativa de oposição ao modelo implantado nos últimos anos. Em outras palavras, mesmo quando seu nome não aparece na urna para governador, Helder continua sendo o eixo em torno do qual gravitam as principais candidaturas.

As pesquisas mais recentes mostram justamente essa indefinição. Levantamentos de diferentes institutos apontam Hana e Daniel em situação de empate técnico ou em disputas extremamente equilibradas, enquanto os índices de indecisos e eleitores que ainda não consolidaram sua escolha permanecem elevados. Em alguns cenários, quase um terço do eleitorado ainda não sabe em quem votar para governador.

Esse dado revela um aspecto importante da eleição: a corrida ainda não entrou em sua fase decisiva. A maioria dos paraenses acompanha o debate, mas ainda não transformou preferência momentânea em voto consolidado. O eleitor parece aguardar o início mais intenso da campanha, os debates, a exposição das propostas e os movimentos das lideranças regionais antes de tomar uma decisão definitiva.

Nesse contexto, torna-se precipitado apontar qualquer favorito. Hana possui a força da máquina administrativa, a herança política do governo Helder e a condição de governadora. Daniel, por sua vez, carrega o capital político acumulado em Ananindeua e a capacidade de dialogar com setores que desejam mudança no comando do estado. Ambos têm potencial competitivo, mas nenhum conseguiu, até o momento, construir uma vantagem capaz de encerrar a disputa antecipadamente.

O que se percebe é que o verdadeiro teste de força acontecerá quando Helder entrar definitivamente em campo na campanha majoritária. Sua popularidade, sua rede de prefeitos, parlamentares e lideranças municipais, além do peso político acumulado após dois mandatos à frente do governo, podem influenciar significativamente a decisão de parte do eleitorado ainda indeciso.

A incógnita da segunda vaga ao Senado mantém o jogo aberto no Pará

Se a disputa pelo Governo do Pará ainda não possui um favorito consolidado, a corrida pelas duas vagas ao Senado apresenta um cenário ainda mais indefinido. E, curiosamente, essa incerteza atinge justamente um dos pontos mais importantes da estratégia política do grupo liderado por Helder Barbalho.

A primeira vaga ao Senado parece caminhar com relativa tranquilidade para o próprio Helder. Os levantamentos divulgados até aqui mostram o ex-governador liderando com folga as intenções de voto e desfrutando de um capital político acumulado após dois mandatos à frente do Executivo estadual. Sua presença na disputa tornou-se praticamente um fator de estabilidade dentro de um ambiente eleitoral marcado por incertezas.

O mesmo não pode ser dito da segunda vaga.

Apesar do esforço da base governista para consolidar o nome do presidente da Assembleia Legislativa do Pará, Francisco Melo (Chicão), os números das pesquisas e a percepção política nos bastidores indicam que sua candidatura ainda não decolou como o esperado. Embora seja uma das principais lideranças institucionais do estado e tenha papel relevante na sustentação política dos governos de Helder Barbalho, Chicão ainda enfrenta dificuldades para transformar força política interna em densidade eleitoral junto ao eleitorado.

O desafio é compreensível. Diferentemente de Helder, que construiu uma trajetória marcada pela exposição pública em cargos executivos, Chicão consolidou sua liderança principalmente nos bastidores da política estadual, no relacionamento com prefeitos, deputados e lideranças regionais. Trata-se de um perfil que costuma ser eficiente na articulação política, mas que nem sempre se converte automaticamente em popularidade eleitoral.

A situação cria uma espécie de paradoxo para o grupo governista. Helder chega forte para sua própria eleição, mas ainda não conseguiu transferir integralmente esse capital político para seu principal aliado na disputa pela segunda cadeira do Senado.

Enquanto isso, outros nomes observam o cenário com atenção. A indefinição abre espaço para que adversários e candidatos de outros campos ideológicos disputem o eleitorado que ainda não demonstra preferência consolidada para a segunda vaga. A tendência é que a campanha para o Senado se torne uma das mais competitivas dos últimos anos, justamente porque uma das cadeiras parece encaminhada, enquanto a outra permanece completamente aberta.

Nos bastidores, muitos analistas avaliam que a consolidação da candidatura de Chicão depende diretamente de três fatores: o desempenho da campanha de Hana Ghassan ao Governo do Estado, o grau de envolvimento de Helder Barbalho na campanha senatorial e a capacidade do MDB de transformar sua ampla rede de prefeitos e lideranças municipais em votos efetivos nas urnas.

Até o momento, entretanto, o cenário permanece indefinido. O eleitor paraense parece reconhecer a liderança de Helder Barbalho, mas ainda não demonstra o mesmo nível de identificação com o nome escolhido pelo grupo governista para acompanhá-lo ao Senado.

Essa realidade ajuda a explicar por que, mesmo com Helder ocupando o centro do tabuleiro político estadual, a eleição de 2026 continua repleta de incógnitas. Se a sucessão ao Governo do Estado segue aberta, a disputa pela segunda vaga ao Senado talvez seja hoje o maior ponto de interrogação da política paraense.

E é justamente dessa indefinição que podem surgir as maiores surpresas da eleição.

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