A Irmandade de Carimbó de São Benedito, de Santarém Novo, no nordeste do Pará, foi anunciada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como uma das vencedoras do 38º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, a mais importante premiação brasileira dedicada à preservação do patrimônio cultural. O grupo concorreu na categoria “Cooperativas, associações ou grupos e coletivos não formalizados” e se destacou pela força comunitária e pelo papel histórico na salvaguarda do carimbó e das tradições afro-indígenas da região.
Com mais de dois séculos de existência, a Irmandade é a principal responsável pela Festividade de Carimbó de São Benedito, uma das celebrações culturais mais antigas do Pará. Surgida no século XIX, a festa reúne devoção religiosa, musicalidade e ancestralidade, preservando elementos africanos e indígenas que moldaram o carimbó como expressão simbólica do território.
Realizada anualmente no fim de dezembro, a festividade inclui apresentações de carimbó, cortejos, ladainhas, gastronomia típica, oficinas de instrumentos, mostras audiovisuais e rodas de canto e dança. Mais do que uma festa, o evento se afirma como um espaço de resistência cultural e continuidade das tradições.
“Esse reconhecimento do Iphan valoriza a nossa cultura, que existe há mais de 200 anos. Ser a primeira mulher a integrar um grupo que antes era só de homens é fruto de muita luta. O que move a nossa cultura é a fé de cada promesseiro”, destacou Ariana Ferraz, integrante da diretoria da Irmandade.

De acordo com a Comissão Nacional de Mérito, que avaliou as 175 ações finalistas, a Irmandade de São Benedito se diferencia pela transmissão de saberes entre gerações, envolvendo grupos mirins, jovens e mestres, e pela atuação política que contribuiu diretamente para o reconhecimento do carimbó como patrimônio cultural do Brasil em 2014.
Reconhecimento nacional
A comissão também destacou o modelo de sustentabilidade da festividade, que depende majoritariamente dos “festeiros”, responsáveis por manter viva a celebração todos os anos. Esse esforço coletivo foi considerado um exemplo de boas práticas de preservação cultural.
A edição 2025 do prêmio recebeu 876 inscrições, das quais 15 foram escolhidas vencedoras, cada uma premiada com R$ 35 mil. A comissão responsável pela seleção reúne representantes de 11 estados, entre pesquisadores, gestores públicos e lideranças de comunidades tradicionais.
Sobre o prêmio
Criado em 1987, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade é uma das principais distinções nacionais de valorização do patrimônio cultural brasileiro. A premiação homenageia o gestor responsável pela criação do antigo Sphan, hoje Iphan, e primeiro presidente do órgão, cargo que ocupou por 30 anos.
Leia também:












Deixe um comentário