A Estrada de Ferro Carajás, que liga os estados do Pará e Maranhão, foi desinterditada na madrugada desta terça-feira (17), após permanecer bloqueada por indígenas do povo Gavião durante cinco dias. A manifestação ocorreu na região da Terra Indígena Mãe Maria e interrompeu a circulação de trens de minério e do trem de passageiros operado pela Vale.
Segundo a mineradora, responsável pela administração da ferrovia, equipes técnicas realizaram inspeções e manutenções necessárias para garantir a retomada segura das operações ferroviárias. Apesar da liberação da via, o trem de passageiros ainda permanece com circulação suspensa e deverá voltar a operar apenas a partir de quinta-feira (19).
A empresa informou que passageiros afetados podem solicitar remarcação das passagens ou reembolso dos bilhetes no prazo de até 30 dias, contados a partir da solicitação, que pode ser feita pelo telefone 0800 285 7000.
O bloqueio foi organizado por comunidades indígenas que reivindicam esclarecimentos sobre a duplicação da ferrovia. De acordo com lideranças do povo Gavião, as obras estariam provocando impactos ambientais no território, incluindo poluição sonora e possível contaminação de rios que atravessam a área indígena.
As comunidades também alegam que não houve consulta prévia aos povos afetados, conforme determina a legislação brasileira e acordos internacionais relacionados aos direitos indígenas.
O Ministério Público Federal (MPF) acompanha o caso e aponta que a empresa poderia estar operando a segunda linha da ferrovia sem a licença necessária. Em nota, a Vale afirmou que já se manifestou no processo e que apresentará defesa à Justiça dentro dos prazos legais.
A mineradora destacou ainda que adotou medidas para restabelecer a circulação dos trens com segurança e minimizar os impactos causados pela paralisação.
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