Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais da Amazônia terão acesso a uma nova linha de financiamento voltada ao fortalecimento da proteção de seus territórios. O Fundo Casa Socioambiental lançou uma chamada pública que vai destinar R$ 3,6 milhões para apoiar até 60 projetos comunitários em toda a Amazônia Legal e no Maranhão.
Cada iniciativa selecionada poderá receber até R$ 60 mil para desenvolver ações relacionadas à defesa territorial, monitoramento ambiental, fortalecimento institucional, segurança comunitária e garantia de direitos.
A medida surge em um contexto de crescente pressão sobre os territórios amazônicos. Comunidades da região convivem diariamente com problemas como avanço do desmatamento, garimpo ilegal, mineração clandestina, queimadas, conflitos fundiários e expansão do agronegócio.
Embora estejam entre os principais responsáveis pela conservação da floresta, povos indígenas e comunidades tradicionais ainda recebem uma parcela reduzida dos recursos destinados ao combate às mudanças climáticas.
Dados citados pelo Fundo Casa apontam que menos de 2% do financiamento climático global chega diretamente a povos indígenas e comunidades locais. Ao mesmo tempo, estudos internacionais mostram que áreas administradas por esses grupos apresentam índices menores de desmatamento e maior preservação da biodiversidade.
Proposta do edital
O edital prevê apoio a projetos voltados para monitoramento territorial, formação de brigadas comunitárias, comunicação popular, cartografia social, fortalecimento de lideranças, elaboração de protocolos de proteção e iniciativas de incidência política e jurídica.
A proposta busca ampliar a capacidade de resposta das comunidades diante das ameaças ambientais e sociais que afetam a região amazônica.
Um dos exemplos citados pelo Fundo Casa é a experiência desenvolvida na bacia do Rio Madeira, em Rondônia, onde jovens indígenas, ribeirinhos, pescadores e extrativistas foram capacitados para atuar na produção de conteúdos audiovisuais e na comunicação comunitária. O objetivo foi fortalecer a mobilização local diante dos impactos causados por grandes empreendimentos, mudanças climáticas e conflitos ambientais.
As inscrições para a chamada “Territórios Vivos da Amazônia: Apoio a Soluções Comunitárias” seguem abertas até o dia 16 de junho.
Serviço
Inscrições: até 16 de junho de 2026
Recursos disponíveis: R$ 3,6 milhões
Número de projetos apoiados: até 60
Valor por projeto: até R$ 60 mil
Abrangência: Amazônia Legal e Maranhão
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