Eleições 2026

Éder Mauro esconde Daniel de material de campanha e Zequinha Marinho passa a ser prioritário ao senado

Material de campanha sem o candidato ao governo e prioridade dada a Zequinha Marinho no primeiro voto ao Senado acendem alerta sobre a unidade entre PL e Podemos

Por Estado do Pará Online
23/08/2026 às 13:01 • 4 min
Éder Mauro, Daniel Santos e Zequinha Marinho em montagem sobre a unidade da direita no Pará

Material sem Daniel e prioridade a Zequinha acendem alerta na aliança entre PL e Podemos.

Material de campanha sem o candidato ao governo e prioridade dada a Zequinha Marinho no primeiro voto ao Senado acendem alerta sobre a unidade entre PL e Podemos

A aliança entre o Podemos e o PL continua formalmente de pé no Pará. Nos últimos dias, porém, dois movimentos revelaram que a união apresentada nas convenções ainda precisa chegar às ruas – e, principalmente, aos materiais de campanha.

O primeiro sinal apareceu quando o ex-deputado federal Wladimir Costa mostrou uma bandeira vinculada à campanha de Éder Mauro na qual não constava o nome de Daniel Santos. Wlad ironizou a ausência e sugeriu que poderia se tratar de um erro da equipe de marketing. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais justamente porque o PL declarou apoio formal ao candidato do Podemos.

Pouco depois, Daniel apareceu em uma gravação publicada pelo senador Zequinha Marinho e afirmou que o candidato do Podemos representa seu “primeiro voto” para o Senado, apresentando Éder Mauro como segunda opção. Como o eleitor paraense escolherá dois senadores, a declaração preserva espaço para ambos. Ainda assim, a ordem escolhida por Daniel carrega peso político.

A direita cobrou uma definição de Daniel

Durante a pré-campanha, lideranças próximas de Éder Mauro, incluindo seu filho Rogério Barra e o vereador de Belém Mayky Vilaça, colocaram Bolsonaro e as pautas conservadoras no centro de suas campanhas.

A cobrança mais direta partiu de Mayky, que condicionou seu apoio a Daniel a uma declaração favorável à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. “Quem fica em cima do muro sempre cai para o lado esquerdo”, afirmou o vereador,

Apesar das resistências, a aproximação avançou. Em maio, durante um ato em Itaituba, Éder declarou que Daniel seria “o único caminho viável” para derrotar o grupo governista. A aliança foi destacada pelo Estado do Pará Online.

Na convenção do PL, em 4 de agosto, o partido confirmou oficialmente o apoio a Daniel. Horas depois, Éder subiu ao palanque da convenção do Podemos e fez um discurso enfático em defesa do candidato ao governo.

A contradição, portanto, está na distância entre o palanque e a propaganda. O mesmo grupo que exigiu de Daniel uma identificação pública com Bolsonaro agora permite que circule ao menos um material no qual o candidato ao governo desaparece.

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Um erro isolado ou campanhas paralelas?

A ausência em uma bandeira não comprova rompimento. Éder mantém outras publicações nas quais apresenta expressamente a composição “Flávio presidente, Daniel governador e Éder Mauro senador”. Não existe, até agora, anúncio público de afastamento entre os candidatos.

O episódio, porém, revela um risco: PL e Podemos podem estar construindo campanhas paralelas, unidas formalmente para o governo, mas disputando protagonismo no Senado e na comunicação com o eleitorado.

Para Daniel, o perigo é maior. A pesquisa Real Time Big Data divulgada no início de agosto mostrou Hana Ghassan com 31% e Daniel com 29%, dentro da margem de erro. Em uma eleição equilibrada, qualquer perda de votos dentro da própria aliança pode ser decisiva.

A prioridade concedida por Daniel a Zequinha pode ser explicada pela fidelidade ao partido que o recebeu e sustentou sua candidatura. Também pode ser interpretada como um recado de reciprocidade: quem deseja aparecer como prioridade precisa tratar o candidato ao governo da mesma maneira.

Ainda não há um racha declarado. Mas alianças eleitorais não sobrevivem apenas de discursos em convenções. Se os nomes não dividirem bandeiras, agendas e pedidos de voto, a direita poderá entrar na campanha com uma unidade oficial e várias campanhas particulares. Nesse cenário, o maior prejudicado tende a ser justamente quem encabeça a chapa: Daniel Santos.

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