'Dá pra sentar e negociar', diz Eduardo Bolsonaro sobre o Pix em meio a tensões comerciais com EUA - Estado do Pará Online

‘Dá pra sentar e negociar’, diz Eduardo Bolsonaro sobre o Pix em meio a tensões comerciais com EUA

Filho do ex-presidente sugeriu que ferramenta pública do Banco Central pode entrar em tratativas com Washington; declaração ocorre em meio a ameaças de tarifas americanas

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro participou de uma entrevista e falou sobre uma possível negociação para substituição do pix. Na gravação, Eduardo sugere que o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado e gerido pelo Banco Central do Brasil, poderia ser incluído em uma mesa de negociações comerciais bilaterais com o governo dos Estados Unidos.

A declaração ocorre em um momento de sensibilidade diplomática, logo após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apontar o Pix e as regulações do comércio digital brasileiro como fatores de suposta desvantagem para empresas norte-americanas. “Dá pra você sentar, dá pra negociar”, afirmou Eduardo Bolsonaro no vídeo, indicando a possibilidade de flexibilização da ferramenta pública nacional em tratativas externas.

Na mesma entrevista, o ex-parlamentar traçou uma comparação direta entre a plataforma brasileira e o Zelle, sistema de transferências eletrônicas muito popular no mercado norte-americano. “Muito semelhante”, disse.

Veja:

O Pix é uma tecnologia de infraestrutura pública e de uso gratuito para pessoas físicas, desenvolvida integralmente pelo Banco Central do Brasil para democratizar o acesso bancário e reduzir custos de transação no mercado doméstico. Por se tratar de um serviço estatal de Estado, o sistema não possui fins lucrativos nem composição societária corporativa.

Por outro lado, o Zelle – plataforma com a qual Eduardo Bolsonaro tentou equiparar a tecnologia brasileira – é um sistema de pagamentos de natureza estritamente privada que opera nos Estados Unidos. A ferramenta não pertence ao governo americano e é controlada de forma direta pela empresa de tecnologia financeira Early Warning Services LLC.

A Early Warning Services LLC, por sua vez, funciona como um consórcio privado administrado e capitalizado por sete das maiores instituições bancárias comerciais dos Estados Unidos. Entre as corporações financeiras que detêm o controle acionário da plataforma privada estadunidense estão gigantes de Wall Street como o Bank of America, o JP Morgan Chase e o Wells Fargo.

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