CPI do Banco Master: entenda como a investigação avança no Senado, se conecta à CPMI do INSS e trava na Câmara - Estado do Pará Online

CPI do Banco Master: entenda como a investigação avança no Senado, se conecta à CPMI do INSS e trava na Câmara

Caso do banco liquidado pelo BC se espalha por diferentes comissões e ganha força a partir do escândalo previdenciário

A investigação sobre o Banco Master avançou no Senado Federal e passou a ganhar novo fôlego a partir da CPMI do INSS, atualmente uma das comissões mais acompanhadas do Congresso Nacional. Embora ainda não exista uma CPI exclusiva instalada na Câmara dos Deputados, o caso deixou de ser tratado como um episódio isolado e passou a integrar um conjunto mais amplo de apurações sobre fraudes e falhas de fiscalização no sistema público.

No Senado, o requerimento para criação de uma CPI específica sobre o Banco Master já ultrapassou o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento. A instalação formal, porém, ainda depende da leitura do pedido em plenário. Paralelamente, o tema passou a ser incorporado a outras frentes, o que manteve a investigação em curso mesmo sem um colegiado exclusivo funcionando.

Como o Banco Master entrou na CPMI do INSS

A CPMI do INSS foi criada para apurar descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas passou a incluir o Banco Master após surgirem indícios de vínculos financeiros relacionados às fraudes investigadas. Com isso, o banco passou a ser tratado como uma peça relevante dentro de um escândalo de maior alcance, que envolve o sistema previdenciário e a atuação de diferentes instituições.

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, estão entre os próximos depoentes do colegiado. A comissão também discute a prorrogação dos trabalhos, o que tende a manter o banco no centro das apurações nas próximas semanas.

Por que a CPI do Banco Master trava na Câmara

Na Câmara dos Deputados, a tentativa de instalar uma CPI exclusiva sobre o Banco Master esbarra em um entrave regimental. Atualmente, há 15 pedidos de CPI aguardando análise, entre eles investigações sobre crimes digitais, planos de saúde, demarcação de terras indígenas e o próprio escândalo do INSS.

Mesmo com deputados afirmando ter alcançado o mínimo de 171 assinaturas, a abertura de novas CPIs depende de decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), responsável por administrar a fila e o limite de comissões funcionando simultaneamente.

Diante desse cenário, parlamentares passaram a apostar em alternativas, como a CPMI do INSS e uma eventual CPMI específica sobre o Banco Master, que dependeria de leitura do requerimento pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP).

CPI do Crime Organizado amplia o alcance das apurações

No Senado, a CPI do Crime Organizado decidiu ampliar seu escopo e incluir o Banco Master entre os alvos da investigação. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que o plano de trabalho permite apurar crimes como lavagem de dinheiro e corrupção, o que abriu espaço para investigar contratos, relações financeiras e possíveis conflitos de interesse envolvendo a instituição.

Parlamentares já apresentaram requerimentos para convocações e pedidos de quebra de sigilo, e novas oitivas devem ser realizadas após o recesso parlamentar.

Mesmo sem uma CPI exclusiva instalada na Câmara, o caso Banco Master segue ativo no Congresso por meio da CPMI do INSS, da CPI do Crime Organizado e de iniciativas no Senado. A investigação avança de forma fragmentada, mas conectada, com o escândalo previdenciário funcionando como principal vetor de pressão política e de interesse público.

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