Povos indígenas do Baixo Tapajós ocuparam, nesta quarta-feira (22) uma unidade da empresa Cargill localizada às margens do rio Tapajós, no oeste do Pará. De acordo com as lideranças indígenas, a ocupação é uma forma de protesto contra projetos e iniciativas que, segundo eles, vêm pressionando o território e ameaçando o modo de vida das comunidades da região.
Entre as principais preocupações estão a dragagem prevista para o rio Tapajós, a privatização de trechos da hidrovia, a especulação imobiliária e o avanço de grandes empreendimentos.
Os manifestantes afirmam que seus direitos estão sendo violados e citam a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante aos povos indígenas o direito à consulta livre, prévia e informada sobre obras, políticas ou projetos que afetem seus territórios. Segundo as lideranças, esse direito não tem sido respeitado em decisões recentes relacionadas ao Tapajós.
Paralelamente, tramita um processo de licitação federal para a contratação de serviços de dragagem em um trecho do rio entre Santarém e Itaituba. O edital prevê investimento estimado de R$ 74,8 milhões e contrato com duração de até 42 meses.
A dragagem é apresentada pelo poder público como uma medida voltada à melhoria da navegação na hidrovia, mas tem gerado preocupação entre comunidades indígenas e ribeirinhas, que temem impactos ambientais, sociais e culturais.
A ocupação desta quarta-feira marca mais um capítulo de um conflito que vem se intensificando na região do Baixo Tapajós e deve continuar no centro do debate público nos próximos dias.
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