O Mercado de Carne Francisco Bolonha voltou a abrir as portas de cara nova e puxou, junto, todo o Complexo do Ver-o-Peso, entregue completamente revitalizado nesta segunda-feira (12), data em que Belém completou 410 anos.
O espaço, um dos cartões-postais mais reconhecidos da capital, passou por obras que recuperaram a arquitetura histórica e reorganizaram a estrutura interna, mantendo a atividade comercial ativa durante todo o processo.
Hoje, o Mercado Bolonha reúne 99 permissionários, distribuídos em 123 equipamentos, que vão da venda tradicional de carnes a artesanato, ervas medicinais, gastronomia e artigos religiosos — uma mistura que transformou o local em parada obrigatória para turistas e moradores.
A intervenção respeitou critérios de restauro histórico e atingiu desde a cobertura até os pisos e instalações internas. Balcões em granito, piso em korodur, recuperação da madeira original, novas redes elétrica e hidrossanitária, além da pintura com acabamento histórico, estão entre os serviços executados.
O investimento público na reforma do Mercado Francisco Bolonha foi de R$ 6.545.661,53, dentro do projeto de revitalização do Complexo do Ver-o-Peso, executado em parceria com o Governo Federal, como legado da COP-30, realizada em Belém.
Durante a entrega, o prefeito Igor Normando destacou o impacto das obras na cidade.
“É inegável que este é o momento de concretizar os projetos desenvolvidos no ano anterior. A Prefeitura de Belém, em parceria com o governo estadual e o governo federal, restaurou a autoestima da cidade. Belém se transformou. Comparando a Belém de um ano atrás com a cidade atual, percebe-se uma mudança significativa. É preciso manter o progresso, e esta obra, sem dúvida, valoriza o trabalho em curso, revitaliza a autoestima da região e, acima de tudo, devolve um patrimônio histórico aos cidadãos e trabalhadores. As entregas de obras para a população continuarão durante toda a semana. Com 110 anos de história, paixão e amor pela cidade, Belém é uma cidade extraordinária, com um povo muito acolhedor. Nosso maior patrimônio é sua gente. Observar que a população recuperou sua autoestima e o senso de pertencimento enche-me de orgulho e aumenta minha responsabilidade de, em colaboração com diversos parceiros e indivíduos, impulsionar o desenvolvimento da cidade e colocá-la no caminho do progresso”, afirmou.
Quem vive o mercado no dia a dia também sentiu a diferença. Com mais de quatro décadas de trabalho no local, Ana Lúcia Lobo Alves, de 71 anos, não escondeu a satisfação.
“Essa foi a melhor reforma que uma Prefeitura fez nesse mercado”, disse. Ela reforça que “a revitalização é fundamental para atrair mais clientes, principalmente em um espaço que já se tornou parada obrigatória para os turistas que visitam Belém e querem conhecer nossa culinária”.
Para que as obras avançassem sem prejuízo aos trabalhadores, os permissionários foram remanejados temporariamente para áreas próximas. A artesã Flávia Azevedo, de 53 anos, continuou vendendo suas peças durante o período no Solar da Beira.
“A Prefeitura permitiu que eu continuasse meu trabalho normalmente durante a reforma, isso foi muito importante para nós, artesãos, que lucramos bastante durante a COP-30”, relatou.
Com a entrega, todos retornaram aos espaços originais, agora totalmente renovados. O secretário municipal de Economia, André Cunha, explicou a estratégia adotada.
“A ideia da Prefeitura de Belém é justamente revitalizar os espaços públicos sem interromper as atividades econômicas desses trabalhadores, remanejando-os para locais provisórios próximos às obras de reformas, com a garantia de entregar um espaço totalmente revitalizado, digno, seguro e atrativo para os trabalhadores e frequentadores. Este é o verdadeiro presente da Prefeitura de Belém para a nossa cidade e para a população”, concluiu.
Construído em 1867, às margens da Baía do Guajará, o Mercado de Carne foi remodelado no início do século XX e recebeu o nome de Francisco Bolonha em homenagem ao engenheiro responsável pela obra. Desde 1977, o prédio é tombado pelo Iphan e integra o conjunto histórico do Ver-o-Peso.













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