O caso da morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, levantou o debate sobre a suspeita de que episódios recentes de violência contra animais possam estar sendo estimulados por grupos de ódio que atuam na internet.
A hipótese ganhou força entre especialistas depois do aumento expressivo de ocorrências semelhantes em diferentes regiões do país. Só essa semana, casos de repercussão nacional invadiram as manchetes, expondo a crueldade gratuita contra animais.
Segundo profissionais que atuam no monitoramento de comunidades virtuais extremistas, há indícios de que adolescentes estejam sendo incentivados a praticar atos de crueldade contra animais como parte de supostas “missões” compartilhadas em grupos online.
Em entrevista ao jornal Estadão, a delegada Lisandrea Salvariego Colabuono, do Núcleo de Operações e Articulações Digitais (Noad) da Polícia Civil de São Paulo, afirma que entre 8 e 10 animais, principalmente filhotes, são mortos toda noite com requintes de crueldade por membros dessas redes.
A prática estaria relacionada ao chamado zoosadismo, termo usado para descrever o prazer em causar sofrimento a animais, comportamento frequentemente observado em grupos virtuais de radicalização. De acordo com o procurador e coordenador do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (Nupve), do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Fábio Costa Pereira: “O zoosadismo é um grande marcador da mobilização à violência, e tem coisas muito mais graves.”
Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que, em 2025, o Brasil registrou uma média de 13 denúncias diárias de crimes envolvendo violência contra animais, número que reforça o alerta das autoridades e especialistas. Na internet, usuários e comunidades de proteção animal reforçam a discussão de que o aumento exponencial pode estar relacionado aos grupos online.
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que, até o momento, não há confirmação de que o crime tenha sido influenciado diretamente por comunidades virtuais de ódio. No entanto, especialistas destacam que o padrão de comportamento observado no caso apresenta semelhanças com práticas comuns em grupos online frequentados por crianças e adolescentes, o que mantém a linha de investigação em aberto.
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