Carnaval com segurança: EPOL orienta mulheres sobre prevenção, acolhimento e denúncia de violência - Estado do Pará Online

Carnaval com segurança: EPOL orienta mulheres sobre prevenção, acolhimento e denúncia de violência

Casos de violência crescem e maioria dos agressores é conhecida da vítima; orientação é reconhecer sinais, proteger e denunciar

a imagem mostra uma mulher em estado de embriagues no carnaval; a foto tem um tom melancolico, como se a moça tivesse sido vítima de algum abuso
Ilustrativa

O Carnaval é um período de festa e ocupação das ruas, mas também exige atenção redobrada à segurança das mulheres. Dados oficiais do Senado Federal mostram que a violência doméstica e familiar ainda atinge milhões de brasileiras. Em 2025, cerca de 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de agressão no país, segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado com mais de 21 mil entrevistadas em todos os estados.

Ao contrário da percepção mais difundida, a violência contra a mulher nem sempre ocorre em locais isolados ou envolve desconhecidos. O próprio levantamento aponta que a maioria das agressões aconteceu na presença de outras pessoas e, em 71% dos casos, havia crianças no local, o que revela que o agressor frequentemente faz parte do convívio social ou familiar da vítima.

Além disso, o aumento nas denúncias mostra que o problema é real e persistente. No Pará, por exemplo, o Ligue 180 registrou 18.501 atendimentos em 2024, com crescimento de 21,8% no número de denúncias em relação ao ano anterior, indicando maior procura por ajuda e conscientização sobre a importância de denunciar.

Outro dado relevante reforça esse cenário: em casos envolvendo crianças e adolescentes, familiares e conhecidos são responsáveis por até 68% das agressões, evidenciando ainda mais que o perigo muitas vezes está dentro do círculo de convivência da vítima. Isso significa que a atenção não deve se limitar a estranhos, mas também a comportamentos abusivos entre amigos, parceiros ou pessoas próximas.

Como identificar sinais de risco e comportamento abusivo

Nem toda violência começa com agressão física. Em muitos casos, o abuso é precedido por microagressões, ou seja, comportamentos que testam limites e normalizam a invasão do corpo e da autonomia da mulher. Entre os sinais de alerta estão:

– Insistir após receber uma negativa;
– Tentar isolar a mulher do grupo de amigas;
– Fazer comentários invasivos ou sexualizados sem consentimento;
– Tocar o corpo sem permissão, mesmo que sob pretexto de “brincadeira”;
– Se aproveitar do estado de embriaguez da vítima.

Um ponto fundamental é entender que uma pessoa sob efeito de álcool ou substâncias não tem condições de consentir. Consentimento só existe quando é livre, consciente e claro.

Como proteger a vítima e agir corretamente

Caso uma mulher esteja em situação de vulnerabilidade ou risco, a prioridade é garantir sua segurança imediata. Algumas medidas são fundamentais:

– Retirar a vítima do local e levá-la para um ambiente seguro;
– Não deixá-la sozinha, especialmente se estiver desorientada;
– Oferecer apoio sem pressionar ou questionar;
– Evitar julgamentos ou perguntas que culpabilizem a vítima;
– Respeitar o tempo e a decisão dela sobre denunciar.

A forma como a vítima é tratada após o ocorrido pode reduzir danos emocionais e facilitar a busca por ajuda.

Cartilha de prevenção: regras de ouro para o Carnaval

Com base em orientações de especialistas, o Estado do Pará Online (EPOL) preparou uma cartilha com algumas medidas ajudam a reduzir riscos. Arraste para o lado:

Essas medidas não transferem responsabilidade para a vítima, mas funcionam como estratégias de autoproteção em um contexto onde a violência ainda é uma realidade.

Como denunciar e buscar ajuda no Pará

Mulheres vítimas de violência, ou qualquer pessoa que presencie uma situação de abuso, podem denunciar por diversos canais oficiais. O principal é o Ligue 180, que funciona 24 horas por dia, gratuitamente e com sigilo garantido, recebendo denúncias e encaminhando aos órgãos responsáveis.

Em situações de emergência, a orientação é ligar imediatamente para o 190, que aciona a Polícia Militar para atendimento imediato.

As denúncias podem ser feitas pela própria vítima ou por terceiros, inclusive de forma anônima, e ajudam a responsabilizar agressores e proteger outras mulheres.

A vítima nunca é culpada

A responsabilidade pela violência é sempre do agressor, independentemente da roupa, do comportamento ou do estado da vítima. Nenhuma mulher provoca violência contra si ou merece sofrer abuso.

O Carnaval deve ser um momento de celebração, cultura e alegria. Garantir que mulheres possam ocupar esse espaço com segurança é uma responsabilidade coletiva e denunciar é parte essencial desse processo. Faça sua parte!

*Este material é colaborativa e tem como autoras: Giovanna Queiroz, Helena Reis, Júlia Ramos, Ludmila Viana, Maiara Pessoa, Renata Levigne, Renata Rocha e Vitória Fesa.

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