O clima de festa do Carnaval, marcado por aglomerações e relações sexuais ocasionais, acende um alerta para um risco muitas vezes ignorado: a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV). Considerada a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, o vírus está diretamente relacionado a 4,5% de todos os casos de câncer globalmente, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Estimativas apontam que 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida. Apesar da alta incidência, a transmissão é considerada evitável, principalmente com o uso de preservativos e a vacinação.
HPV e os riscos para a saúde
De acordo com a ginecologista oncológica Mary Valente, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), o HPV está ligado a quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, doença que atinge mais de 17 mil mulheres por ano no Brasil.
Além disso, o vírus também pode causar câncer de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe. “Quase 5% de todos os cânceres do mundo estão diretamente relacionados ao HPV. É um risco grande demais para ser ignorado, independentemente de festa, Carnaval ou qualquer outra coisa”, alerta a especialista.
Prevenção: preservativo e vacina
A principal forma de prevenção contra o HPV é a vacina, considerada o método mais eficaz no combate ao vírus, especialmente quando aplicada antes do início da vida sexual. Atualmente, o imunizante está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos.
Segundo a médica, o Ministério da Saúde deve ampliar a vacinação para a faixa etária de 15 a 19 anos a partir de 2026.
“O uso do preservativo é fundamental, mas não pode ser a única medida de proteção, já que o HPV também pode ser transmitido pelo contato pele a pele, inclusive em relações sem penetração”, explica Mary Valente.
Baixa cobertura vacinal no Pará
No Pará, os índices de vacinação contra o HPV ainda estão abaixo da média nacional em algumas faixas etárias. Entre crianças de 9 anos, a cobertura é de 61,08% entre meninas e 51,45% entre meninos. Já aos 14 anos, os números sobem para 78,53% no público feminino e 62,03% no masculino.
A médica aponta que desinformação e preconceito ainda são barreiras para o avanço da imunização. “Muitos pais acreditam que vacinar significa incentivar o início da vida sexual, o que não é verdade. A idade está relacionada apenas à eficácia da vacina. Além disso, meninos também precisam se vacinar, pois o vírus pode causar cânceres que afetam homens e também ser transmitido às parceiras”, reforça.
Alerta para o Carnaval
Com o aumento das interações sociais durante o Carnaval, especialistas defendem que a prevenção seja incorporada ao clima festivo. “Fantasia, música, alegria… mas que todo mundo acrescente uma dupla essencial: vacina contra o HPV e camisinha. Essa combinação salva vidas”, conclui Mary Valente.
Serviço
Vacina contra o HPV: disponível gratuitamente no SUS
Público-alvo: crianças e adolescentes de 9 a 14 anos
Prevenção adicional: uso de preservativo em todas as relações sexuais
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