Eleições 2026

Candidatos ao Governo do Pará já gastaram mais de R$ 5,2 milhões do fundo eleitoral; confira o ranking

Candidata do MDB recebeu R$ 8,1 milhões e já contratou R$ 2,95 milhões em despesas; Dr. Daniel e Araceli aparecem na sequência

Por Mayra Peniche
14/09/2026 às 17:42 • 5 min

Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

Faltando 20 dias para o primeiro turno das eleições, as campanhas dos candidatos ao Governo do Pará já movimentam milhões de reais, mas a distribuição dos recursos revela diferenças expressivas entre os concorrentes. Levantamento com base nas prestações de contas eleitorais mostra que, entre as seis candidaturas analisadas, R$ 5,27 milhões em despesas já foram contratados até as últimas atualizações disponíveis no sistema eleitoral.

Na liderança está Hana Ghassan (MDB), que declarou R$ 2,95 milhões em despesas contratadas, seguida por Dr. Daniel (Podemos), com R$ 1,82 milhão, e Araceli (PSOL), com R$ 494,9 mil.

O levantamento considera as informações disponíveis nas prestações de contas até 13 de setembro de 2026, com exceção de Well Macedo e Ruth Reis, cujos dados têm como última atualização 9 e 12 de setembro, respectivamente.

Hana concentra maior volume de recursos e gastos

Hana Ghassan apresenta a maior movimentação financeira entre os candidatos analisados. A campanha recebeu R$ 8.127.141,97 e declarou R$ 2.950.281,27 em despesas contratadas.

Do valor contratado, R$ 965.014,60 já haviam sido pagos. Ou seja, existe uma diferença de aproximadamente R$ 1,98 milhão entre o que foi contratado e o que efetivamente saiu do caixa.

A principal despesa da candidata é a produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, que soma R$ 1 milhão. Depois aparecem serviços prestados por terceiros, com R$ 862 mil; publicidade por adesivos, com R$ 272,1 mil; impulsionamento de conteúdos, com R$ 250 mil; e publicidade por materiais impressos, com R$ 208,5 mil.

A origem dos recursos também chama atenção. Dos R$ 8,12 milhões recebidos, R$ 8 milhões foram repassados pela direção nacional do MDB. Outros R$ 100 mil vieram da direção estadual do partido.

Na prática, a campanha de Hana já contratou despesas equivalentes a aproximadamente 36,3% de tudo o que recebeu.

Dr. Daniel aposta pesado no ambiente digital

O segundo maior volume de despesas contratadas é da campanha de Dr. Daniel, que recebeu R$ 2.805.000,00 e contratou R$ 1.826.662,88 em despesas.

O candidato já pagou R$ 874.565,34. Assim como Hana, existe uma diferença relevante entre os valores contratados e pagos: aproximadamente R$ 952 mil ainda não haviam sido pagos na atualização analisada.

O principal gasto da campanha está concentrado no impulsionamento de conteúdos, que soma R$ 1,115 milhão, equivalente a 61% das despesas contratadas.

Também aparecem na lista criação e inclusão de páginas na internet, com R$ 115 mil, atividades de militância e mobilização de rua, com R$ 113.090, locação ou cessão de imóveis, com R$ 87.200, e publicidade por adesivos, com R$ 82.549,65.

A maior parte dos recursos veio do próprio partido. R$ 2,8 milhões foram repassados pela direção nacional do Podemos, enquanto R$ 5 mil foram registrados como doação de pessoa física.

Araceli aparece em terceiro

A campanha de Araceli (PSOL) recebeu R$ 1.322.244,27 e declarou R$ 494.979,04 em despesas contratadas.

Os pagamentos realizados até a atualização somavam R$ 347.735,32.

Entre os principais gastos estão serviços prestados por terceiros, com R$ 209.326, serviços advocatícios, com R$ 120 mil, atividades de militância e mobilização de rua, com R$ 58.887,46, despesas com pessoal, com R$ 30.998,90, e publicidade por materiais impressos, com R$ 27.550.

Assim como nas campanhas de Hana e Dr. Daniel, o financiamento de Araceli está concentrado no partido. O PSOL Nacional repassou R$ 1 milhão, enquanto a direção estadual destinou R$ 322.244,27.

Campanhas menores têm movimentação financeira reduzida

Na outra ponta do ranking estão Gal Leite (UP), Well Macedo (PSTU) e Ruth Reis (Democrata).

Gal Leite recebeu R$ 4.670,00 por meio de financiamento coletivo e registrou apenas R$ 93,72 em despesas, valor correspondente à taxa de administração da plataforma utilizada para arrecadação.

Well Macedo recebeu R$ 34.462,00, integralmente repassados pela direção nacional do PSTU, mas não havia declarado nenhuma despesa até a atualização de 9 de setembro.

Já Ruth Reis aparece com R$ 0 em receitas e R$ 0 em despesas na prestação de contas atualizada em 12 de setembro.

Distância financeira revela campanhas com estratégias diferentes

Os números mostram uma diferença significativa no poder de movimentação financeira das campanhas.

Hana Ghassan, líder do ranking, já contratou mais de cinco vezes o valor registrado por Araceli e cerca de 1,6 vez o volume de despesas de Dr. Daniel. Somadas, as três campanhas que lideram o ranking concentram praticamente toda a movimentação financeira registrada entre os candidatos analisados.

Também chama atenção a predominância dos recursos partidários. Nas três campanhas com maior volume de gastos, a maior parte dos recursos veio diretamente das direções nacionais dos partidos, mostrando o peso do financiamento partidário na disputa pelo Palácio do Governo.

Os dados, no entanto, não representam necessariamente o gasto final das campanhas. As prestações de contas são atualizadas durante o processo eleitoral, e novas receitas, contratos e pagamentos podem ser registrados até o encerramento da campanha e da prestação de contas.

Ranking dos gastos


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