Brasil registra mais de 84 mil desaparecimentos em 2025 e casos envolvendo menores crescem acima da média - Estado do Pará Online

Brasil registra mais de 84 mil desaparecimentos em 2025 e casos envolvendo menores crescem acima da média

Dados apontam aumento geral dos registros e indicam desafios na busca e integração de informações entre estados

A imagem mostra uma mão pousando uma vela ao lado de outra em simbolismo a uma vigilha
Ilustrativa

O Brasil contabilizou 84.760 registros de desaparecimento de pessoas ao longo de 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O número representa média de 232 casos por dia e aumento de 4,1% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 81.406 ocorrências no país.

Apesar da criação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, instituída em 2019 para integrar ações entre órgãos de segurança, saúde e assistência social, os registros seguem em crescimento. Levantamentos indicam que, desde 2015, houve redução apenas nos anos de 2020 e 2021, período associado por especialistas às restrições provocadas pela pandemia de covid-19, que dificultaram o acesso às delegacias e podem ter ampliado a subnotificação.

Especialistas avaliam que o aumento dos números também ocorre paralelamente ao crescimento da quantidade de pessoas localizadas. Em 2025, 56.688 indivíduos dados como desaparecidos foram encontrados, alta de 2% em comparação a 2024 e crescimento de 51% em relação a 2020, quando 37.561 pessoas foram localizadas. Segundo análises acadêmicas, o avanço está relacionado tanto ao maior número de registros quanto ao aprimoramento de ferramentas e estratégias de busca e troca de informações entre instituições públicas.

Subnotificação e políticas públicas

Mesmo com avanços, pesquisadores alertam que os dados oficiais ainda não refletem a real dimensão do problema. Parte dos desaparecimentos pode estar ligada a crimes não solucionados, como feminicídios, tráfico de pessoas, exploração de trabalho e ocultação de cadáveres. Também há casos que deixam de ser comunicados às autoridades, principalmente em contextos envolvendo grupos criminosos, populações indígenas ou pessoas em situação de rua.

Outro desafio apontado está na implementação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, considerado peça central da política, foi criado apenas em 2025 e, até o momento, conta com a integração de registros de 12 unidades da federação. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, há expectativa de ampliar a adesão dos demais estados até o primeiro semestre de 2026, além de investir na capacitação de profissionais, campanhas de coleta de material genético e ações de conscientização.

Crianças e adolescentes

Entre os casos registrados no ano passado, 23.919 envolveram crianças e adolescentes, o equivalente a 28% do total. O índice representa crescimento de 8% em relação a 2024, percentual superior ao aumento geral dos desaparecimentos no país. Dados indicam ainda que, enquanto homens representam a maioria dos desaparecidos no conjunto geral, meninas correspondem a 62% das ocorrências dentro do público infantojuvenil.

Pesquisadores destacam que as causas dos desaparecimentos são variadas e podem envolver situações voluntárias, involuntárias ou forçadas. Entre menores de idade, há registros relacionados à fuga de contextos de violência familiar, além de casos associados a riscos externos. Especialistas ressaltam que, independentemente da motivação, o Estado tem a obrigação de atuar na localização das vítimas e combater estereótipos que dificultam o registro rápido das ocorrências, como a crença de que é necessário aguardar determinado período para comunicar o desaparecimento.

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