Belém enfrenta um cenário preocupante na saúde pública com a queda da cobertura vacinal, mesmo com a oferta regular de imunizantes nas unidades básicas de saúde. A baixa adesão da população acompanha uma tendência nacional, mas traz impactos diretos para o município, atingindo crianças, adolescentes, idosos e famílias inteiras.
A vacinação é uma das principais estratégias de prevenção de doenças graves, responsável por reduzir internações, óbitos e a circulação de vírus e bactérias. Com a diminuição da cobertura, a proteção coletiva fica comprometida e aumenta o risco de surtos evitáveis.
Desinformação e baixa percepção de risco
Segundo a coordenadora do Programa de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), Cleise Soares, a redução da procura está ligada ao próprio sucesso histórico das vacinas no país. Com doenças controladas ou erradicadas, parte da população passou a subestimar os riscos.
“A baixa percepção de risco da doença e as dúvidas sobre a efetividade das vacinas, impulsionadas pela disseminação de notícias falsas, influenciam diretamente a decisão das famílias”, destaca a coordenadora.
Influenza tem menor cobertura no município
Entre os imunizantes com menor adesão em Belém, a vacina contra a influenza apresenta o cenário mais crítico, com apenas 12,60% de cobertura. A campanha, iniciada em novembro de 2025 e válida até fevereiro, é voltada aos grupos prioritários, como crianças de 6 meses a 6 anos, idosos e gestantes.
A baixa procura preocupa por atingir justamente os públicos mais vulneráveis às formas graves da doença, que concentram maior risco de complicações, internações e óbitos.
Vacina contra a dengue também preocupa
Outro ponto de atenção é a vacina contra a dengue, que registra 15,65% de cobertura no município. A aplicação começou no fim de 2025 e é destinada exclusivamente a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta altos índices de hospitalização pela doença.
Em uma cidade com histórico de circulação do vírus, a baixa adesão compromete uma estratégia fundamental de prevenção, especialmente considerando que o imunizante não é indicado para pessoas acima de 60 anos.
Além da influenza e da dengue, outras vacinas importantes também apresentam cobertura inferior ao ideal em Belém. A meningo ACWY atinge 53,23%, a HPV4 chega a 56,92% e a poliomielite injetável (VIP) soma 58,21%.
A queda preocupa por se tratarem de vacinas que previnem doenças graves, algumas com potencial de causar sequelas permanentes ou paralisias. A redução da imunização mantém o risco de reintrodução de doenças já erradicadas no país.
Crianças são as mais impactadas
O público infantil é o mais afetado pela hesitação vacinal, já que depende diretamente da decisão dos pais ou responsáveis para comparecer às unidades de saúde. Segundo a Sesma, mitos e informações falsas seguem afastando famílias da vacinação.
Entre os boatos mais comuns estão associações falsas entre vacinas e transtornos como o autismo, além de desconfianças sobre a vacina da gripe e da covid-19, todas já amplamente refutadas por estudos científicos.
Inverno amazônico aumenta riscos
Com a chegada do inverno amazônico, período marcado por chuvas intensas e maior circulação de vírus respiratórios e arboviroses, o alerta se intensifica. Nessa época, é comum o aumento de atendimentos e internações, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
Manter a vacinação em dia é fundamental para reduzir complicações e evitar a sobrecarga dos serviços de saúde.
Estratégias para ampliar a vacinação
Para ampliar a cobertura, a Sesma intensificou ações de busca ativa com agentes comunitários de saúde, que visitam residências, identificam vacinas em atraso e orientam a população. As salas de vacinação seguem abastecidas e funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
O município também conta com o Postão de Icoaraci, que funciona em horário estendido até as 22h, além de ações aos fins de semana para facilitar o acesso.
Para se vacinar, basta procurar uma unidade de saúde com a caderneta vacinal ou um documento de identificação. Quem perdeu o cartão pode solicitar a segunda via ou emitir um novo no momento da vacinação.
A Sesma reforça que manter a vacinação em dia é um ato de cuidado individual e coletivo, protegendo quem recebe a dose e também aqueles que não podem ser vacinados. Cada dose aplicada fortalece a proteção coletiva e contribui para um futuro mais seguro para a população de Belém.










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