O panorama da corrida eleitoral para a Presidência da República sofreu uma forte alteração nesse mês de maio. A nova pesquisa AtlasIntel, desenvolvida em parceria com a Bloomberg e divulgada nesta terça-feira (19), revela o primeiro grande impacto prático do vazamento de áudios e mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O episódio desgastou a oposição, permitindo ao presidente Lula (PT) abrir vantagem e liderar todas as simulações de segundo turno fora da margem de erro.
Segundo Turno
Até o mês de abril, Lula e Flávio Bolsonaro travavam um combate acirrado, configurando um cenário de empate técnico em que o senador oposicionista aparecia numericamente à frente com 47,8% contra 45,5% do atual presidente.
O cenário de maio aponta uma reversão. Flávio Bolsonaro registrou uma queda de seis pontos percentuais, caindo para 41,8% das intenções de voto. Em contrapartida, Lula saltou para 48,9%, abrindo uma distância confortável de 7,1 pontos percentuais em relação ao principal adversário.

O instituto de pesquisa também testou a força de Lula contra outros possíveis nomes da centro-direita e da direita tradicional, demonstrando que o petista mantém a liderança em todas as frentes:
- Lula contra Romeu Zema: No embate com o ex-governador de Minas Gerais, a vantagem de Lula é ainda maior, registrando 47,8% contra 37,6% do candidato do partido Novo.
- Lula contra Ronaldo Caiado: Diante do governador de Goiás, que tenta se viabilizar como uma alternativa moderada na direita, Lula pontua 47,5% frente a 38,5% de Caiado.
Primeiro turno
No cenário de primeiro turno, Lula aparece no topo da tabela com 47% das intenções de voto, mantendo a estabilidade de sua base eleitoral tradicional. Beneficiado pelo desgaste da oposição, o petista flerta com a possibilidade de vitória em primeiro turno caso a fragmentação da terceira via continue. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar isolado com 34,3%, seguido de longe por Renan Santos (Missão), que acumula 6,9%, e Romeu Zema, com 5,2%.

A flutuação dos números encontra explicação direta no índice de rejeição dos candidatos. O teto eleitoral de Flávio Bolsonaro foi severamente comprometido pelo avanço das investigações policiais em Brasília, fazendo com que 52% dos eleitores declarem que não votariam no parlamentar de jeito nenhum. A rejeição de Lula também segue em patamar elevado, marcando 50,6%, o que reforça o ambiente de profunda divisão ideológica no país.
Desgaste político
O levantamento constatou que 95,6% da população tomou conhecimento do vazamento das conversas de teor comprometedor envolvendo o senador e a cúpula do Banco Master. Desse grupo de internautas e eleitores informados, a taxa de engajamento com a prova material é altíssima: 93,9% afirmam ter escutado efetivamente os áudios gravados.
Para 51,7% dos brasileiros ouvidos, o teor das gravações funciona como uma evidência do envolvimento de Flávio Bolsonaro em fraudes no sistema financeiro nacional. A maioria dos entrevistados (54,9%) legitima a divulgação dos arquivos brutos, encarando o episódio como um desdobramento de investigações criminais da Polícia Federal, enquanto 33% endossam a narrativa de perseguição política promovida por adversários.
Apesar de 64,1% do eleitorado geral apontar que a pré-campanha de Flávio saiu profundamente enfraquecida da crise, o núcleo do eleitorado bolsonarista permanece. Entre os cidadãos que votaram em Jair Bolsonaro nas eleições anteriores, 84,2% opinam que o senador deve ignorar o desgaste e manter a postulação à Presidência, indicando que a base ideológica da direita prefere fechar fileiras a buscar um plano B para o pleito de outubro.
A pesquisa coletou dados de 5.032 eleitores espalhados pelas cinco regiões do Brasil entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A metodologia aplicada foi o Recrutamento Digital Aleatório (RDR), que realiza entrevistas online de forma orgânica.
A margem de erro estimada é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%. O estudo encontra-se devidamente registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a inscrição BR-06939/2026.
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