Carlo Ancelotti sentou na primeira fila do auditório lotado e acompanhou de perto o pontapé inicial de um debate que pode redesenhar o futuro das categorias de base no Brasil. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) abriu oficialmente os trabalhos do novo grupo voltado à formação de atletas.
O encontro reuniu representantes de clubes, federações estaduais e especialistas. Entre eles, nomes conhecidos do futebol nacional, além do presidente da entidade, Samir Xaud. A proposta é discutir ajustes no calendário, proteção ao atleta em formação e novas diretrizes para o desenvolvimento técnico e educacional.
“O futebol de base é mais um pilar importantíssimo da nossa gestão. É de lá que saem os nossos craques. A CBF vem formando grupos de trabalho específicos para cada setor e agora chegou a vez da base. Fico muito feliz de ter nomeado nosso presidente Felipe Silva para estar coordenando esse Grupo de Trabalho, juntamente com o Hélder Melillo. Com essa medida, a CBF valoriza a importância de todo o ecossistema do futebol de base brasileiro. O dia de hoje contempla esse novo modelo de gestão com a certeza de que deixaremos um legado muito positivo para a base brasileira”, disse o presidente Samir Xaud.
Ancelotti também reforçou a importância do projeto. “Trata-se de um projeto muito importante para a formação do jovem brasileiro. A história do futebol mostra que este país sempre teve grandes futebolistas, jogadores com talento, com muita criatividade. É um país de tradição esportiva e futebolística. Mas o talento não se pode formar. Este projeto nasce não para formar talento, mas para educar o talento. Investir na formação é investir no futebol brasileiro. Queremos criar não perna forte, mas mente forte”, disse Ancelotti.
O grupo trabalhará em eixos como compatibilização do calendário escolar, regulamentação da atuação de agentes, certificação de clubes formadores e fortalecimento do futebol feminino. A previsão é que as propostas sejam consolidadas nos próximos meses.
Para o futebol paraense, o debate tem peso direto. Clubes como Paysandu, Clube do Remo, Águia de Marabá, Tuna Luso, Castanhal, dependem cada vez mais das categorias de base para equilibrar finanças, revelar talentos e disputar espaço no cenário nacional.
Com a Série A, C, D e competições regionais exigindo elencos competitivos e sustentáveis, a organização da base deixa de ser apenas discurso e passa a ser questão estratégica também para o Norte do país. O encontro marca o início de uma agenda que promete mexer em estruturas históricas do futebol brasileiro e que pode refletir diretamente na formação dos próximos talentos que sairão dos gramados paraenses.
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