Cidades

Operação do MPPA cumpre mandados de busca e apreensão contra ex-servidores do IASEP

Na operação, foram apreendidos documentos que podem ter ligação com os fatos investigados. A notícia criminal afirmava que desde o início do ano de 2019 até meados de 2023 teria imperado no IASEP uma esquemática de desvio de dinheiro público em favor do hospital investigado.

Por Estado do Pará Online
29/04/2024 às 09:20 • 4 min

Foto: Reprodução

O Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado (GAECO), com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Inteligência e Segurança Institucional (GSI), cumpriu na manhã desta segunda-feira (29) mandados de busca e apreensão em 11 endereços localizados em Belém, Ananindeua e Santa Izabel do Pará, além de bloqueio e sequestro de bens e afastamento de funções públicas de servidores públicos suspeitos de atuarem em um esquema delituoso que, segundo a hipótese investigativa, foi instalado no Instituto de Assistência do Servidor Público do Estado do Pará (IASEP), autarquia do Governo do Pará incumbida de garantir a assistência à saúde aos servidores públicos estaduais e seus dependentes.  

Nos primeiros dias do ano em curso o GAECO recebeu notícias sobre suposta ilicitude envolvendo um empresário, dono de um hospital situado em Ananindeua, que agiria em concurso com servidores públicos lotados, então, no IASEP. A notícia criminal afirmava que desde o início do ano de 2019 até meados de 2023 teria imperado no IASEP uma esquemática de desvio de dinheiro público em favor do hospital investigado.

O esquema, segundo a notícia, funcionava da seguinte forma: um grupo de servidores do IASEP favorecia o hospital por meio de manipulação, de ausência e até mesmo de falsificação de auditorias das contas médicas apresentadas. Desta forma, a empresa recebia valores muito além dos serviços efetivamente prestados. Nisso, as contas médicas seriam superfaturadas tanto na quantidade do objeto como no preço cobrado. 

A interlocução entre o grupo de servidores do IASEP e o proprietário do hospital seria por meio de outro servidor público cedido do Estado para o município de Ananindeua. 

Com objetivo de instruir o procedimento, foi encaminhado ofício para o IASEP para que prestasse esclarecimentos preliminares sobre os fatos delineados na representação. O Instituto respondeu às indagações preliminares e apresentou anexos documentais comprobatórios, os quais, munidos com os dados disponíveis em fontes de informações abertas e fechadas, foram apresentados em juízo para subsidiar o pedido das cautelares. 

Na data de hoje foram apreendidos documentos que podem ter ligação com os fatos investigados. 

A busca pelo patrimônio dos investigados, para cumprimento da ordem de bloqueio e sequestro de bens, está sendo providenciada ao longo desta segunda-feira (29), assim como a comunicação de afastamento de funções públicas dos investigados que, embora exonerados do IASEP quando a fraude foi descoberta, permaneceram em funções públicas em outros órgãos.

Atualização

A documentação apreendida hoje, durante a operação polical será encaminhada para o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, informou Ana Maria Magalhães, atual titular do GAECO, que também teria dito que vai apresentar um pedido de declínio de competência, junto a Vara de Combate ao Crime Organizado, para que as investigações prossigam sob a tutela do TJE do Pará, uma vez que o prefeito de Ananindeua tem prerrogativa de foro.

Assinada pelos juízes Acrísio Figueiredo, Celso Quim Filho e Eduardo Freire, a ordem judicial que decretou o mandado de busca e apreensão no Hospital Santa Maria e nas cadas dos investigados Elton dos Santos Brandão, André Luiz Oliveira de Miranda, Geciara dos Santos Barbosa, Julia Conceição Arão, Michele Barbosa Santos, Rosângela Medeiros de Sousa e Ed Wilson Dias e Silva. Os servidores públicos, Ed Wilson, Geciara dos Santos, Julia Conceição e Rosângela Medeiros foram afastados de seus cargos, além de estarem proibidos de adentrar órgãos públicos e acessar sistemas da administração pública; de manter contato com os funcionários do hospital Santa Maria, da prefeitura de Ananindeua e do IASEP.

A decisão também decretou o sequestro da quantia de R$ 261. 381.860,97 ( duzentos e sessenta e um milhões, trezentos e oitenta e um mil, oitocentos e sessenta reais e noventa e sete centavos) incluindo eventuais veículos, aeronaves e embarcações, até o mencionado limite, em relação a cada um dos acusados.

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