Eleições 2026

Veja como foi a entrevista de Celso Sabino, candidato do PDT ao Senado pelo Pará, na TVC

Candidato pelo PDT é o segundo entrevistado da série de sabatinas da TVC com os candidatos ao Senado e apresenta propostas, trajetória política e posicionamentos para a disputa de 2026.

Por Mayra Peniche
14/09/2026 às 19:55 • 11 min

Foto: Pauly Paes | Epol

O candidato ao Senado pelo PDT, Celso Sabino, participou nesta segunda-feira (14) da sabatina promovida pela TVC Pará com os candidatos que disputam uma das duas vagas do Pará no Senado Federal nas eleições de 2026. Durante a entrevista, Sabino apresentou propostas e posicionamentos sobre temas como energia elétrica, saúde, educação, violência contra a mulher, turismo, reforma tributária, infraestrutura, mineração e meio ambiente.

Ex-deputado federal e ex-ministro do Turismo, Sabino destacou a experiência adquirida em Brasília como um dos principais argumentos para defender sua candidatura. Ao longo da entrevista, afirmou que pretende utilizar a articulação política no Congresso Nacional para buscar mais recursos federais para o Pará e defender pautas relacionadas ao desenvolvimento econômico e social do estado.

Energia elétrica

Ao falar sobre o preço da energia elétrica no Pará, Celso Sabino defendeu medidas para reduzir o valor da tarifa paga pelos consumidores paraenses. O candidato afirmou que já apresentou, durante o mandato como deputado federal, projetos voltados à redução de custos relacionados ao transporte e à transmissão de energia.

Sabino também defendeu uma redução da tarifa para estados que, segundo ele, são superavitários na produção de energia. Para o candidato, o Pará, por ser um grande produtor, deveria ter condições mais favoráveis na composição da conta de luz.

“Eu, como deputado federal, apresentei uma série de projetos para reduzir essa conta, especialmente para os moradores do estado do Pará, sendo um estado produtor de energia, para reduzir a taxa, por exemplo, que incide sobre o transporte da energia, sobre o uso do sistema de transmissão, reduzir o valor da tarifa para estados que são superavitários”, afirmou.

Ao explicar o papel de um senador nesse processo, Sabino citou a atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pela regulação do setor.

“Quem autoriza os aumentos e o valor da tarifa de cada estado é a agência reguladora, no caso o ANEEL, a Agência Nacional de Energia Elétrica. E é o Senado Federal quem elege, que aprova o nome do diretor e da ANEEL”, declarou.

Durante a entrevista, Sabino afirmou que pretende atuar no Senado para buscar mecanismos que contribuam para a redução da conta de energia no Pará.

Saúde

Na área da saúde, Sabino ressaltou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e defendeu a ampliação da oferta de atendimento especializado no Pará.

O candidato destacou a necessidade de investimentos em hospitais e estruturas de saúde que atendam principalmente a população que vive no interior do estado. Entre os exemplos citados está o Hospital de Amor, instituição voltada principalmente ao atendimento oncológico.

A proposta apresentada por Sabino busca reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Belém ou para outros estados em busca de atendimento especializado.

Educação

Na educação, Celso Sabino defendeu uma distribuição mais equilibrada dos recursos destinados aos estudantes de diferentes regiões do país. O candidato afirmou que o Pará precisa receber tratamento equivalente ao de estados das regiões Sul e Sudeste e relacionou a discussão a uma dívida histórica da União com o estado.

Sabino argumentou que estudantes paraenses não deveriam receber menos atenção ou recursos públicos do que alunos de estados como Paraná e Rio de Janeiro.

“Eu acredito que os estudantes do Pará devem receber a mesma atenção, o mesmo orçamento, por exemplo, do Paraná, Rio de Janeiro”, afirmou.

Durante a entrevista, o candidato também mencionou diferenças na distribuição de recursos entre municípios paraenses e cidades de outras regiões do país. Segundo ele, essa desigualdade precisa ser enfrentada como parte de uma política de reparação ao Pará.

Violência contra a mulher

Ao abordar o combate à violência contra a mulher, Celso Sabino defendeu o endurecimento das penas para crimes dessa natureza e o fortalecimento da rede de proteção às vítimas.

O candidato afirmou que o momento vivido pela sociedade exige uma resposta mais rigorosa do poder público. Para ele, além do aumento das penas, é necessário ampliar a estrutura disponível para prevenir os crimes e atender mulheres em situação de violência.

“Eu defendo uma pena cada vez mais dura, enquanto persistir esse momento que a nossa sociedade vive, uma pena cada vez mais dura. E defendo também mais investimentos na rede de proteção”, afirmou.

Sabino citou ainda a necessidade de ampliar a estrutura de atendimento, com equipamentos e veículos para órgãos que atuam na proteção de crianças e mulheres. Na avaliação dele, uma rede mais estruturada poderia permitir que os serviços públicos chegassem antes da ocorrência de novos casos de violência.

O candidato também relacionou o combate à violência contra a mulher a políticas sociais, como a implantação de creches e a criação de serviços que facilitem o ingresso e a permanência das mulheres no mercado de trabalho.

Para Sabino, a combinação entre o fortalecimento da rede de proteção, políticas de apoio à autonomia das mulheres e o endurecimento das penas pode contribuir para enfrentar os crimes de violência contra a mulher.

“Isso em conjunto de fortalecimento do sistema de proteção, juntamente com o endurecimento das penas, não só para violência, mas todos os crimes que envolvem a violência contra a mulher, nós vamos evoluir nesse tempo”, declarou.

Turismo

Na área do turismo, Celso Sabino defendeu o fortalecimento do setor como uma estratégia para ampliar a geração de emprego e renda no Pará. Ex-ministro do Turismo, o candidato afirmou que pretende, caso seja eleito ao Senado, trabalhar para impulsionar o turismo na Amazônia, com atenção especial ao estado.

Sabino citou o crescimento do setor no país e atribuiu parte desse resultado às políticas adotadas pelo governo federal na área do turismo. Para ele, o Pará tem potencial para ampliar sua participação nesse mercado a partir das características naturais e culturais da região.

Entre as áreas que, segundo o candidato, poderiam receber mais investimentos estão o ecoturismo e o turismo de base comunitária, além de atividades realizadas em territórios quilombolas e aldeias indígenas que recebem visitantes.

“Eu vou trabalhar muito no Senado para que o turismo seja uma mola para gerar emprego”, afirmou.

Sabino também destacou o potencial de aldeias indígenas abertas à visitação turística e afirmou que o Pará reúne condições naturais e culturais para ampliar a atividade.

Reforma tributária

Ao falar sobre a reforma tributária, Celso Sabino defendeu uma mudança na forma como os impostos são distribuídos no país. Segundo o candidato, o sistema brasileiro concentra uma carga elevada sobre o consumo e deveria aumentar a tributação sobre a renda.

Sabino afirmou que setores com maior força política conseguem obter vantagens tributárias e benefícios fiscais e defendeu uma inversão nessa lógica.

“Eu particularmente defendo uma inversão nos tributos que são aplicados no nosso país. Hoje a gente tributa muito o consumo e muito pouco a renda, diferente de outros países. Eu defendo uma tributação menor no consumo e uma tributação mais forte na renda”, afirmou.

Para explicar a proposta, o candidato citou o impacto dos impostos sobre produtos básicos. Segundo ele, a carga incidente sobre o consumo acaba atingindo consumidores de diferentes faixas de renda de maneira semelhante.

“Tanto faz se você recebe 100 mil por mês ou se você recebe 2 mil por mês, você vai pagar o mesmo imposto naquele quilo de leite que você está comprando. Isso não é justo”, declarou.

Sabino resumiu a proposta com uma frase atribuída por ele ao auditor Charles Alcântara: “colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda”.

O candidato também defendeu a tributação sobre lucros e dividendos. Segundo ele, a medida faz parte da discussão sobre a reforma do Imposto de Renda e deveria avançar no Senado.

“Como não é natural da reforma tributária do imposto de renda, nós defendemos inclusive a taxação, a tributação sobre os lucros e dividendos”, afirmou.

Sabino ainda declarou que, caso seja eleito senador, pretende atuar pela aprovação da proposta.

“Quem sabe não vai ser lá no Senado que eu vou conseguir fazer esse projeto ser aprovado pela segunda vez”, disse.

Rodovias e infraestrutura

Na área de infraestrutura, Celso Sabino defendeu a duplicação das rodovias federais que cortam o Pará e afirmou que o estado precisa ampliar a capacidade de articulação política em Brasília para garantir mais recursos do orçamento federal.

Segundo o candidato, a falta de investimentos faz com que as rodovias paraenses apresentem condições inferiores às encontradas em estados vizinhos, como Tocantins e Maranhão.

“Quando você sai das estradas federais aqui do Pará e entra no Tocantins, por exemplo, você já sente um salto de qualidade nas estradas. Até no Maranhão as estradas federais estão melhores que as estradas federais aqui do estado do Pará”, afirmou.

Sabino atribuiu parte do problema à falta de lideranças que atuem pela destinação de recursos federais para as rodovias do estado. Para ele, os senadores precisam ter uma atuação mais firme na discussão do orçamento da União.

“Eu no Senado Federal vou colocar o pé na porta e na discussão do orçamento das rodovias federais, que o Brasil vai ter que resgatar essa dívida que tem com o Pará”, declarou.

O candidato afirmou ainda que o estado deveria estar discutindo a duplicação de mais rodovias, em vez de concentrar esforços apenas na manutenção das estradas para garantir a trafegabilidade durante o período de chuvas.

“Hoje nós já deveríamos estar falando já na duplicação de muitas rodovias do estado do Pará. Infelizmente a gente ainda está cuidando da manutenção para que no inverno elas possam estar trafegando”, disse.

Mineração e meio ambiente

Questionado sobre os impactos da mineração no Pará e problemas como garimpo ilegal, contaminação de rios e pressão sobre territórios indígenas, Celso Sabino afirmou ser contrário à atividade ilegal e defendeu mudanças na forma como o estado aproveita economicamente os recursos minerais.

“Radicalmente contra o garimpo ilegal”, afirmou.

O candidato avaliou que a mineração tem participação limitada na arrecadação, embora tenha peso significativo na balança comercial. Para ele, o Pará precisa avançar na chamada verticalização da produção mineral, com a instalação de indústrias capazes de transformar a matéria-prima extraída no estado em produtos de maior valor agregado.

“Eu acho que a mineração contribui muito pouco com arrecadação final, mas contribui muito com a balança comercial e defendo uma verticalização na produção”, declarou.

Sabino citou sua formação acadêmica e afirmou que seu doutorado também abordou a relação entre mineração e desenvolvimento. Segundo ele, o Pará deveria buscar atrair indústrias para transformar parte do minério produzido no próprio estado, em vez de depender principalmente da exportação da matéria-prima.

Como exemplo, o candidato mencionou a instalação de uma fábrica da montadora chinesa BYD na Bahia e questionou por que o Pará não poderia receber investimentos semelhantes ligados à cadeia mineral.

“Então por que a gente não pode ter uma fábrica dessa aqui no Pará, que utilize ferro e a extração das minas do estado do Pará?”, questionou.

Sabino afirmou que pretende utilizar a experiência adquirida em Brasília e a articulação política para buscar investimentos e estimular a industrialização da cadeia mineral paraense.

“Quando eu falo ‘vou lutar’, quer dizer vou dialogar, trabalhar, debater. Vou usar toda a minha experiência em Brasília, de força, de articulação, para conseguir trazer desenvolvimento para o nosso estado através da verticalização da mineração”, afirmou.

A sabatina com Celso Sabino ocorreu nesta segunda-feira (14) e faz parte da série de entrevistas da TVC com os candidatos ao Senado pelo Pará. A iniciativa busca apresentar ao eleitor as propostas, trajetórias e posicionamentos dos nomes que estarão na disputa pelas duas vagas destinadas ao estado no Senado Federal.

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