Eleições 2026

Raio-X Eleitoral: conheça as propostas, aliados e trajetória de Celso Sabino, candidato ao Senado pelo PDT

Ex-ministro do Turismo e deputado federal, Celso Sabino tenta chegar ao Senado com discurso voltado à infraestrutura, redução da tarifa de energia e desenvolvimento econômico do Pará; Série apresenta o perfil dos candidatos ao Senado Federal em ordem alfabética e acompanha o calendário das sabatinas da TVC Pará, sempre a partir das 17h

Por Mayra Peniche
10/09/2026 às 16:47 • 10 min

Foto: Divulgação

Celso Sabino de Oliveira, 48 anos, é candidato ao Senado pelo Pará pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) com o número 123. Natural de Belém, o político é advogado, administrador e auditor fiscal e possui uma trajetória de mais de uma década em cargos públicos. Atualmente, exerce mandato de deputado federal, ao qual chegou pela primeira vez em 2019, e também comandou o Ministério do Turismo durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na disputa de 2026, Sabino tem como primeiro suplente Ítalo Mácola e como segundo suplente Nei Teixeira, ambos do PDT.

Politicamente, Sabino construiu uma trajetória marcada pela circulação entre diferentes grupos e partidos. Passou pelo PSDB, União Brasil e, em 2026, está filiado ao PDT. Também manteve relações políticas com nomes de diferentes campos, como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que faz um senador?

O senador representa o estado no Congresso Nacional e exerce funções legislativas e de fiscalização. Entre suas atribuições estão propor, discutir e votar leis, participar da elaboração do orçamento federal, fiscalizar ações do Executivo e analisar determinadas indicações para cargos públicos.

Diferentemente de um governador, o senador não administra diretamente obras e serviços estaduais. A execução de projetos depende de orçamento, articulação com o governo federal e outros níveis da administração pública.

Por isso, propostas como duplicação de rodovias, redução de tarifas de energia e ampliação de investimentos dependem de articulação política, aprovação de medidas legislativas e, em muitos casos, atuação de órgãos federais.

Propostas de Celso Sabino

A campanha de Celso Sabino concentra suas propostas principalmente em infraestrutura, energia, desenvolvimento econômico, turismo e atração de investimentos para o Pará.

O candidato afirma que pretende utilizar o mandato no Senado para ampliar a participação do estado nas decisões sobre investimentos federais e defender obras consideradas estratégicas para a logística paraense.

Infraestrutura e rodovias

Entre as principais propostas apresentadas por Sabino está a ampliação da infraestrutura rodoviária federal no Pará.

Durante agenda de campanha em Belém, o candidato defendeu a duplicação de rodovias federais como uma das medidas necessárias para melhorar a logística e o transporte no estado.

A agenda de infraestrutura também já havia aparecido no discurso de pré-campanha. Em março, ao reafirmar a intenção de disputar o Senado, Sabino citou a necessidade de investimentos em ferrovias e estradas como prioridades para o desenvolvimento do Pará.

A proposta dialoga diretamente com uma das principais demandas econômicas do estado: melhorar as condições de transporte para o deslocamento da população e para o escoamento da produção.

Energia elétrica

Outra bandeira que ganhou espaço na campanha é a redução do custo da energia elétrica para os consumidores paraenses.

Sabino defende mudanças que reduzam as tarifas cobradas no estado e afirma que pretende levar a discussão para o Senado.

Em 2026, o parlamentar também apresentou requerimento solicitando ao Ministério de Minas e Energia informações sobre a composição das tarifas de energia elétrica no Pará e sobre o reajuste aplicado pela Equatorial Pará. Também apresentou proposta para sustar os efeitos do reajuste tarifário anual de 2026 da distribuidora.

A pauta tem peso político no Pará porque o estado é um dos principais produtores de energia do país, mas convive com tarifas consideradas elevadas pelos consumidores.

Turismo

A área de turismo é uma das principais marcas da trajetória recente de Sabino.

Ele comandou o Ministério do Turismo entre 2023 e 2025, durante o terceiro governo Lula. No período, participou de políticas de promoção do turismo nacional, qualificação profissional e investimentos em infraestrutura turística.

A passagem pelo ministério também aproximou Sabino de uma agenda relacionada à preparação de Belém para a COP30 e ao aproveitamento do evento como mecanismo de promoção turística do Pará.

Em entrevista ao governo federal, Sabino afirmou que a realização da COP30 ampliou a exposição internacional de Belém e defendeu o aproveitamento dos investimentos realizados na cidade como legado para o turismo paraense.

Na atuação legislativa mais recente, também aparecem propostas relacionadas ao turismo, incluindo medidas de proteção contra a exploração sexual de crianças e adolescentes no setor e projetos de valorização de destinos turísticos paraenses.

Desenvolvimento econômico

O discurso de Sabino também está associado à atração de investimentos, geração de empregos e ampliação da infraestrutura necessária para o desenvolvimento econômico.

A experiência como auditor fiscal e a atuação parlamentar em temas tributários ajudam a explicar a presença de pautas econômicas em sua trajetória.

Na Câmara, Sabino participou da discussão da reforma tributária e foi relator da proposta de reforma do Imposto de Renda em 2021. Também presidiu a Comissão Mista de Orçamento em 2022, tornando-se o primeiro parlamentar paraense a ocupar o comando do colegiado.

Recursos federais para o Pará

Outra frente defendida pelo candidato é a ampliação da participação do Pará na distribuição de recursos federais.

Na pré-campanha, Sabino afirmou que pretendia chegar ao Senado para defender pautas estruturantes para o estado e buscar mais recursos federais para obras e investimentos.

A experiência na Comissão Mista de Orçamento é utilizada pelo candidato como parte da justificativa para sua capacidade de articulação em Brasília.

O que Celso Sabino já fez na vida pública?

Celso Sabino iniciou sua trajetória política no Pará. Foi deputado estadual suplente e, posteriormente, exerceu mandato efetivo na Assembleia Legislativa do Pará.

Também ocupou o cargo de secretário estadual de Trabalho, Emprego e Renda entre 2012 e 2013 e presidiu o Instituto de Metrologia do Pará.

Em 2018, foi eleito deputado federal pelo PSDB, com 146.288 votos. Em 2022, foi reeleito, então pelo União Brasil, com 142.324 votos.

Na Câmara dos Deputados, ganhou projeção nacional principalmente pela atuação em temas econômicos e orçamentários. Foi relator da reforma do Imposto de Renda e, em 2022, presidiu a Comissão Mista de Orçamento.

Em julho de 2023, foi escolhido por Lula para comandar o Ministério do Turismo. A nomeação ocorreu em meio à estratégia do governo de ampliar sua relação com o União Brasil e com o grupo político liderado por Arthur Lira.

Sabino permaneceu no ministério até dezembro de 2025, quando deixou o cargo para voltar à Câmara e disputar as eleições de 2026.

Em julho deste ano, Celso participou de uma entrevista ao PoderCast, podcast mediado pelo jornalista e fundador do portal Estado do Pará Online e da TVC Pará, Diógenes Brandão.

Qual é o posicionamento político de Celso Sabino?

O candidato pode ser classificado como um político de centro-direita, com perfil pragmático e institucional.

A trajetória dele não é marcada por uma agenda ideológica rígida. Ao longo da carreira, Sabino transitou por diferentes partidos e grupos políticos, mantendo relações com setores de centro, centro-direita e, posteriormente, com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Antes de chegar ao PDT, Sabino passou pelo PSDB e pelo União Brasil. Durante sua passagem pela Câmara dos Deputados, aproximou-se do grupo político de Arthur Lira e do chamado Centrão. Em 2023, foi escolhido por Lula para comandar o Ministério do Turismo.

Durante o governo Jair Bolsonaro, aproximou-se do então presidente da Câmara, Arthur Lira, e ganhou espaço no Congresso. Em 2023, foi escolhido por Lula para assumir o Ministério do Turismo, tornando-se um dos representantes do Centrão dentro do governo federal.

Na Câmara, Sabino também apoiou a eleição de Lira para a presidência da Casa, mesmo quando seu partido tinha outro candidato. A relação com o deputado alagoano foi apontada como um dos fatores que contribuíram para sua ascensão política.

No Pará, Sabino integrou campo político aliado ao governador Helder Barbalho. Ao longo da campanha de 2026, entretanto, a composição da chapa governista para o Senado passou por diferentes movimentações, tornando a disputa pela segunda vaga um dos principais focos da eleição.

Esse perfil faz com que Sabino seja identificado mais como um político de centro e de articulação, com capacidade de diálogo com diferentes grupos, do que como um representante de uma corrente ideológica rígida.

Patrimônio

Celso Sabino declarou à Justiça Eleitoral R$ 7.356.806,89 em bens para a disputa ao Senado em 2026.

Entre os principais itens declarados estão um apartamento avaliado em R$ 1,14 milhão, uma chácara de R$ 1 milhão, uma participação de R$ 1,1 milhão na empresa Múltiplo Capital Ltda. e uma aplicação em CDB de R$ 1,14 milhão.

O candidato também declarou outros imóveis, veículos, ações, fundos de investimento e dinheiro em espécie. Entre os veículos estão duas SW4, avaliadas em R$ 300 mil e R$ 350 mil.

A declaração de bens de Celso Sabino revela um perfil de investimentos diversificado, com forte presença no setor imobiliário e no mercado financeiro. O patrimônio está distribuído entre imóveis residenciais e comerciais, propriedades rurais, participação empresarial, aplicações financeiras e investimentos em ações e fundos.

A concentração de recursos em imóveis e investimentos também reforça o perfil econômico do candidato, que possui patrimônio superior a R$ 7 milhões declarado à Justiça Eleitoral.

Investigações, processos e questionamentos públicos

Um dos principais episódios envolvendo Celso Sabino ocorreu na prestação de contas da campanha de 2022 para deputado federal.

O TRE do Pará chegou a rejeitar as contas e determinou que Sabino devolvesse aproximadamente R$ 1,4 milhão aos cofres públicos. A decisão apontava problemas na comprovação de despesas de campanha, incluindo gastos com publicidade e o fretamento de uma aeronave.

O caso, porém, chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em março de 2024, o ministro Flávio Dino concedeu liminar favorável a Sabino e derrubou o acórdão do TRE-PA que havia rejeitado as contas e determinado a devolução de R$ 1.395.118,69.

A decisão considerou que a Justiça Eleitoral paraense havia aplicado entendimento novo durante a análise das contas e que isso teria violado a segurança jurídica do processo eleitoral. Portanto, a rejeição das contas e a determinação de devolução dos valores não devem ser apresentadas atualmente como uma condenação definitiva contra o candidato.

Outro episódio que gerou questionamentos ocorreu durante sua passagem pelo Ministério do Turismo. Em 2024, um requerimento apresentado na Câmara pediu a convocação de Sabino para prestar esclarecimentos sobre uma denúncia envolvendo supostos funcionários fantasmas na Embratur. O requerimento citava informações segundo as quais uma área técnica do TCU teria identificado indícios de irregularidades no caso.

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