Política

Crise no STF: Mendonça afasta diretor da PF e chefe da Inteligência após suposto monitoramento

Decisão ocorre após disputa com Alexandre de Moraes envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal

Por Elielson Almeida
08/09/2026 às 09:52 • 3 min

Documentos citados por Mendonça analisavam decisões de ministros do STF e integrantes da Advocacia-Geral da União. (Fotos: Gustavo Moreno / José Cruz_

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (08) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão ocorre em meio à investigação sobre relatórios de inteligência produzidos para monitorar autoridades.

Segundo Mendonça, ao menos seis documentos foram produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026. O ministro afirmou que os relatórios acompanhavam sua própria atuação e a do advogado-geral da União, Jorge Messias, e classificou o material como apócrifo e sem validade probatória.

Além do afastamento dos dois diretores, Mendonça determinou a abertura de investigações criminais e administrativo-disciplinares pela Corregedoria da PF. Também suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou atividades de polícia judiciária.

Crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal

O afastamento ocorre em meio à crise que se instalou no STF após o ministro André Mendonça divulgar documentos da PF relacionados ao caso Banco Master e que citavam contatos entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em reação, Moraes apresentou a Fachin relatórios de inteligência que levantavam suspeitas sobre a atuação de Mendonça nas investigações do Banco Master e do INSS.

Fachin passou a centralizar as acusações e determinou que os envolvidos prestassem esclarecimentos. Agora, Mendonça afirma ter identificado irregularidades em relatórios produzidos pela própria PF e que teriam monitorado sua atuação, levando ao afastamento das duas chefias da corporação.

Sessão extraordinária no STF

Mendonça solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para analisar e referendar a decisão ainda nesta terça-feira (08).

Na decisão, o ministro apontou que os documentos continham análises sobre decisões do Supremo e sobre a atuação de integrantes da própria Polícia Federal. Um dos relatórios, segundo Mendonça, chegou a justificar “monitoramento e coleta dirigida” de informações sobre Jorge Messias.

O ministro também destacou o vazamento de informações sigilosas relacionadas a investigações em andamento. Segundo ele, a divulgação dos documentos poderia comprometer medidas investigativas ainda pendentes de cumprimento.

Com informações do G1*

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