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Alemanha: partido de extrema direita tem vitória estadual histórica

Partido de extrema direita alcança cerca de 44% dos votos e supera a CDU de Friedrich Merz em estado do leste alemão.

Por Alexandre Alencar
07/09/2026 às 17:57 • 4 min
Partido de extrema direita alcança cerca de 44% dos votos e supera a CDU de Friedrich Merz em estado do leste alemão

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A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu neste domingo (6) a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, no leste do país, em um resultado considerado histórico para a extrema direita alemã. Com cerca de 44% dos votos, segundo os resultados parciais, a legenda registrou sua maior votação no estado e ficou próxima de conquistar uma posição inédita desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Apesar da vitória nas urnas, o resultado não significa que a AfD assumirá automaticamente o governo estadual. A formação do Parlamento e a composição de uma maioria serão determinantes para definir quem terá condições de governar. Dessa forma, Ulrich Siegmund, líder da legenda na Saxônia-Anhalt, ainda não está confirmado como ministro-presidente, cargo equivalente ao de governador no Brasil.

A eleição também representa um importante revés para o chanceler Friedrich Merz, líder da coalizão conservadora que governa a Alemanha. A CDU, partido de Merz, terminou bem atrás da AfD na votação estadual.

O resultado ocorreu em meio a um cenário de insatisfação com o governo federal. Uma pesquisa divulgada pela emissora ARD apontou que 87% dos eleitores da Saxônia-Anhalt estavam insatisfeitos com a administração federal.

Para Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, o desempenho da AfD deve ser interpretado principalmente como uma manifestação de rejeição ao governo de Merz.

A eleição deste domingo foi exclusivamente estadual e, portanto, não altera a composição do governo federal alemão. A próxima eleição para o Parlamento Federal, responsável por definir o governo nacional, está prevista para 2029.

Imigração é uma das principais bandeiras da AfD

A política migratória ocupa posição central no programa da AfD. O partido defende o endurecimento das regras para entrada e permanência de estrangeiros, além da ampliação das deportações e da adoção de uma política chamada de “remigração”, expressão utilizada pela legenda para defender o retorno de imigrantes aos países de origem.

A sigla também propõe alterações nas políticas de integração e medidas mais rígidas para pessoas que solicitam asilo no país.

Na educação, a AfD defende mudanças nas regras de frequência escolar e apoia a possibilidade de ensino domiciliar. O partido também propõe a criação de turmas específicas para crianças refugiadas e mudanças no conteúdo ensinado nas escolas, com maior valorização da identidade e da cultura alemãs.

Na política energética, a legenda pretende rever parte das medidas climáticas adotadas pela Alemanha. Entre as propostas estão uma maior utilização de combustíveis fósseis e a retomada da energia nuclear. A AfD também defende a redução da atuação das emissoras públicas de comunicação, limitando-as a um serviço considerado essencial.

Na política externa, o partido prega uma aproximação com a Rússia de Vladimir Putin, além do fim das sanções impostas a Moscou e da redução do apoio alemão à Ucrânia.

A AfD também mantém uma postura crítica em relação à União Europeia e defende a devolução aos países-membros de parte das competências atualmente concentradas nas instituições do bloco.

O resultado na Saxônia-Anhalt reforça, portanto, o crescimento eleitoral da extrema direita em determinadas regiões da Alemanha e aumenta a pressão sobre o governo de Friedrich Merz, embora a vitória estadual da AfD, por si só, não represente uma mudança no comando político do país.

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