Internacional

Assembleia Geral da ONU aprova mudança em mapa-múndi para corrigir distorção de séculos sobre o Sul Global

Por 164 votos a favor e apenas um contrário (EUA), resolução liderada pelo Togo e pela União Africana substitui a Projeção de Mercator pelo modelo 'Terra Igual' para restaurar a precisão geográfica de continentes como África e América do Sul

Por Daniel Vinagre
05/09/2026 às 13:50 • 2 min

Mapa Equal Earth Map

Em uma votação de caráter histórico realizada nesta sexta-feira (4), a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução intitulada “Corrija o mapa”, que altera a recomendação da representação cartográfica oficial do planeta. O objetivo da medida é eliminar distorções de escala mantidas desde o século XVI que apequenavam as reais proporções da África, da América do Sul e do Sul da Ásia.

A proposta, liderada pelo governo do Togo com o apoio de países africanos, recebeu voto favorável de 164 Estados-Membros. Houve seis abstenções e apenas os Estados Unidos votaram contra a mudança.

A representação cartográfica adotada até então baseava-se na Projeção de Mercator, concebida no ano de 1569 pelo geógrafo Gerardus Mercator. Criado originalmente para auxiliar a navegação marítima, o modelo preservava os ângulos, mas distorcia drasticamente as áreas: continentes situados nas altas latitudes (ao Norte) eram exageradamente ampliados, enquanto as regiões situadas na faixa intertropical (ao Sul da Linha do Equador) sofriam encolhimento visual.

Durante o debate em plenário, o ministro das Relações Estrangeiras de Togo, Robert Dussey, afirmou que a revisão do mapa consolida a “verdade científica” e combate preconceitos estruturais:

“Não se trata apenas de corrigir um mapa e sim de corrigir a percepção. A decisão reforça a equidade de representação e a dignidade dos povos”, enfatizou o diplomata.

O texto aprovado pela ONU sustenta que a correção promove “justiça cognitiva e reparação memorial”, adequando-se às diretrizes do Pacto para o Futuro assinado em 2024 para erradicar desigualdades históricas.

Adoção do modelo ‘Terra Igual’

A partir da deliberação, as Nações Unidas passam a recomendar oficialmente o modelo cartográfico “Terra Igual” (Equal Earth) para materiais educacionais, institucionais e digitais em todo o mundo. Desenvolvida para manter a equivalência proporcional das massas de terra de cada continente, a projeção reflete com exatidão a área real de países e territórios.

A diplomacia da União Africana destacou que os mapas não são peças neutras, mas ferramentas culturais que moldam o imaginário coletivo e influenciam as relações geopolíticas e socioeconômicas internacionais.

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