Eleições 2026

Saiba como foi à entrevista de Araceli Lemos para a TVC Pará

A entrevista faz parte da série de sabatinas que será realizada pela TVC com os candidatos ao Governo do Estado do Pará.

Por Mayra Peniche
31/08/2026 às 19:39 • 8 min

Foto: Tereza Coelho / EPOL

A entrevista realizada nesta segunda-feira (31) e conduzida pelo apresentador Thiago Barros, contou com perguntas sobre temas centrais, com o intuito de conhecer as propostas da candidata para os setores estratégicos do governo. No início da sabatina, Araceli Lemos (PSOL) respondeu a questões relacionadas à saúde, educação, segurança e mobilidade urbana. Temas específicos também foram abordados o garimpo ilegal.

A candidata ao governo do Pará afirmou, durante entrevista, que o Estado possui recursos suficientes para ampliar os investimentos em áreas como saúde e educação. Segundo ela, o orçamento estadual teria crescido 108% nos últimos oito anos, passando de aproximadamente R$ 25 bilhões para R$ 55 bilhões.

Para Araceli, o aumento da arrecadação não teria sido acompanhado por uma melhora proporcional na prestação dos serviços públicos. “Não é falta de dinheiro, é falta de vontade”, declarou.

Propostas para a saúde

A candidata ao Governo do Estado foi questionada sobre a grande fila de espera na saúde em diversos municípios do Pará. Durante a entrevista, Araceli firmou o compromisso com a redução do tempo de espera para exames e procedimentos especializados. Uma das propostas apresentadas é estabelecer um prazo de até 60 dias para esses atendimentos em todo o Estado.

Araceli criticou especialmente a situação de pacientes do interior que precisam se deslocar até Belém para receber atendimento especializado. Ela citou casos de pessoas com câncer que, segundo seu relato, precisam deixar suas cidades e até vender bens para conseguir recursos para viajar à capital.

A candidata também criticou o modelo de administração dos hospitais regionais por meio de Organizações Sociais (OSs). Segundo ela, os contratos têm custos elevados e precisam passar por uma fiscalização mais rigorosa. Araceli mencionou ainda a existência de denúncias de desvios de recursos públicos envolvendo algumas organizações responsáveis pela gestão de unidades de saúde

“Quem está doente tem pressa. Não é possível um cidadão do interior precisar de um atendimento com urgência e esse atendimento ser marcado para daqui a seis meses. Por isso, nós vamos reduzir o prazo para atendimento de exames especializados e de procedimentos especializados. Eu conheço pessoas que precisam se deslocar de suas cidades para vir à capital em busca de atendimento”.

Em nem um momento durante a entrevista a candidata esclareceu de onde seriam retiradas as verbas para serem realizados os investimentos em saúde.

Atenção para educação

Um dos pontos mais ressaltados durante a entrevista foi a questão da educação. Araceli tem proximidade com a temática, visto que já foi secretária municipal de Educação de Belém, durante a gestão do então prefeito Edmilson Rodrigues.

Ela permaneceu à frente da pasta até dezembro de 2024. Entre as iniciativas destacadas durante sua gestão estão o Programa Alfabetiza Belém, ações de recuperação da estrutura física das escolas e projetos de recuperação de espaços históricos e culturais ligados à educação. A gestão também recebeu o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, concedido pelo Ministério da Educação.

Na educação, Araceli defendeu a realização de concursos públicos e a valorização dos profissionais da área. Segundo a candidata, existe um déficit de cerca de sete mil trabalhadores na Secretaria de Estado de Educação.

Ela questionou o anúncio de um concurso com 6.600 vagas, considerando que o número seria insuficiente para suprir a demanda apresentada pelo próprio déficit.

A candidata também defendeu o pagamento do piso salarial do magistério e a recomposição das perdas salariais dos servidores da educação. Ela criticou ainda a situação de escolas que, segundo seu relato, apresentam problemas estruturais.

Durante a entrevista, Araceli citou uma escola em Cametá que estaria em condições precárias e o antigo CAIC de Castanhal, que, segundo ela, também apresenta problemas de infraestrutura e teria áreas ocupadas por pessoas sem moradia.

A candidata também criticou a adoção de modelos educacionais considerados por ela como “importados” de outros Estados. Para Araceli, a política educacional paraense precisa considerar as particularidades da região amazônica.

“Nós iremos amazonizar a educação”, afirmou, defendendo uma política que, segundo ela, esteja conectada à realidade social e cultural da Amazônia.

Segurança pública

Na segurança pública, Araceli defendeu uma atuação integrada entre diferentes órgãos estaduais e federais para enfrentar facções criminosas e milícias.

A candidata afirmou que a violência não pode ser tratada apenas como uma “sensação de insegurança” e citou roubos, assaltos e a atuação de grupos criminosos que, segundo ela, cobrariam taxas de comerciantes em diferentes regiões do Estado.

Para enfrentar o crime organizado, Araceli defendeu maior articulação entre o governo estadual, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado e governo federal.

A candidata também relacionou políticas de segurança a investimentos sociais. Segundo ela, ampliar o acesso de jovens a escolas, esportes, lazer e outras atividades seria parte da estratégia de prevenção à criminalidade.

Araceli afirmou ainda que pretende manter uma relação próxima com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caso seja eleita. Ela declarou ser defensora do governo federal e destacou a importância de uma atuação conjunta entre União e Estado no combate ao crime organizado na Amazônia.

Questão ambiental

Por conta do pouco tempo que restava durante a entrevisra a candita falou brevemente sobre a como pretende combater o garimpo ilegal na amazônia. Para candidata, Estado deve criar alternativas econômicas para a população que hoje acaba dependente de atividades ilegais na mineração e na exploração da floresta

O combate ao garimpo ilegal e ao desmatamento no Pará precisa estar associado à criação de empregos e de alternativas econômicas para a população que vive em regiões onde essas atividades estão presentes. A avaliação foi feita durante entrevista, ao discutir as primeiras medidas que seriam adotadas para enfrentar os crimes ambientais sem abandonar as comunidades locais.

Segundo a candidata, a falta de oportunidades não pode ser utilizada como justificativa para a manutenção do garimpo ilegal. Para ela, o governo deve desenvolver políticas públicas capazes de transformar a população local em parte do combate às atividades clandestinas.

“Não é possível alguém dizer que tem que deixar o garimpo ilegal porque as pessoas precisam sobreviver. Vamos criar políticas para esta população para que ela seja a primeira a combater o garimpo ilegal. Porque, ao permitir que o garimpo ilegal exista no Estado do Pará, nós estamos permitindo que a miséria aumente no Estado do Pará.”

A declaração faz parte das propostas apresentadas pela candidata para a área ambiental e para o desenvolvimento econômico do estado. A estratégia defendida é evitar que comunidades vulneráveis dependam da exploração ilegal de recursos naturais e criar alternativas capazes de manter a população no território com trabalho formal e renda.

Perfil da candidata

Professora, historiadora, ex-deputada estadual e ex-secretária de Educação de Belém, Araceli Lemos chega à eleição de 2026 com uma trajetória construída na educação pública, no movimento sindical e na política paraense

Aos 68 anos, Araceli Maria Pereira Lemos decidiu transformar uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada à educação, à política e aos movimentos sociais em uma nova disputa eleitoral: a corrida pelo Governo do Pará.

Natural de Inhangapi, no nordeste paraense, Araceli construiu parte importante de sua vida pessoal, profissional e política em Castanhal. Professora da rede pública estadual, historiadora formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e especialista em Metodologia e Pesquisa Histórica na Amazônia, ela também passou pelo movimento sindical e pelo Legislativo estadual.

Sua história política começou ainda no campo da educação. Entre 1996 e 1998, Araceli presidiu o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp), antes de chegar à Assembleia Legislativa do Pará.

Em 1998, foi eleita deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e, quatro anos depois, conquistou a reeleição. Durante os dois mandatos, sua atuação esteve associada principalmente a pautas como educação pública, direitos dos trabalhadores, mulheres, infância e direitos sociais.

A relação com o PT, entretanto, terminaria alguns anos depois. Araceli participou do processo de formação do PSOL e ingressou na nova legenda em 2005. Desde então, construiu sua trajetória dentro do partido, chegando à presidência estadual da sigla.

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