Eleições 2026

Raio-X Eleitoral: conheça as propostas, aliados e trajetória de Daniel Santos

Ex-prefeito de Ananindeua, médico e candidato do Podemos ao Governo do Pará, Daniel Santos está no campo da oposição, tem apoio de Flávio Bolsonaro e apresenta um plano de governo baseado em desenvolvimento econômico, segurança, infraestrutura, saúde regionalizada e modernização da administração pública; Série será publicada em ordem alfabética e seguirá o cronograma das sabatinas dos candidatos ao Governo do Pará na TVC Pará, realizadas sempre a partir das 17h

Por Júlia Ramos
01/09/2026 às 17:12 • 18 min

Daniel Barbosa Santos, conhecido como Dr. Daniel, é candidato ao Governo do Pará pelo Podemos. Nascido em Açailândia (MA), em 25 de agosto de 1986, formado em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) e tem especialização em ginecologia e obstetrícia. Daniel é casado com a também médica e deputada federal Alesssandra Haber (Podemos) A candidatura integra a coligação “O Pará é do Povo!”, formada por Podemos, PL, DC, Novo e Federação Renovação Solidária (PRD/Solidariedade).

A entrada de Daniel na política ocorreu em 2012, quando foi eleito vereador de Ananindeua pelo PSDB, com 4.445 votos. Em 2016, conquistou novo mandato para a Câmara Municipal com 12.675 votos, desta vez como o vereador mais votado do município, e assumiu a presidência da Casa. Em 2018, deixou a disputa municipal para concorrer à Assembleia Legislativa do Pará e recebeu 113.588 votos, tornando-se o deputado estadual mais votado do Estado. No início de 2019, foi eleito presidente da Alepa para o biênio 2019-2020. São, portanto, 14 anos de atuação política desde sua primeira eleição.

Na disputa pela Prefeitura de Ananindeua em 2020, Daniel foi eleito no primeiro turno com 152.352 votos, equivalentes a 67,70% dos votos válidos. Quatro anos depois, já filiado ao PSB, foi reeleito com 229.930 votos, ou 83,48% dos votos válidos. Antes da atual eleição estadual, renunciou à Prefeitura em abril de 2026 para disputar o Governo do Pará e migrou do PSB para o Podemos.

No cenário presidencial, Daniel se apresenta como candidato de oposição e recebeu o apoio do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. A aliança também aparece na composição de sua chapa, que reúne Podemos e PL, entre outras legendas. A escolha de Ellayne D’Almeida (PL), de Itaituba, para a vice-governadoria reforçou a aproximação com o campo político ligado ao bolsonarismo.

Politicamente, Daniel está situado no campo da direita e da oposição ao grupo liderado por Helder Barbalho e pelo MDB no Pará. Seu discurso de campanha combina defesa de responsabilidade fiscal, segurança jurídica, parceria com o setor produtivo, industrialização, agronegócio, mineração e infraestrutura com políticas de saúde, educação e desenvolvimento regional. O plano oficial descreve como princípios a responsabilidade fiscal, eficiência administrativa, planejamento de longo prazo, inovação, valorização dos servidores e cooperação com municípios.

O que faz um governador?

O governador chefia o Poder Executivo estadual e administra órgãos, serviços e políticas que estão sob responsabilidade do Estado. Entre as áreas que envolvem a atuação estadual estão segurança pública, educação da rede estadual, saúde pública em cooperação com União e municípios, infraestrutura estadual, meio ambiente, desenvolvimento econômico e gestão dos servidores. A Constituição também estabelece competências compartilhadas entre União, Estados e municípios e competências legislativas concorrentes em temas como orçamento, meio ambiente, educação, saúde e segurança.

Isso significa que uma promessa de campanha nem sempre pode ser cumprida exclusivamente por decisão do governador. Algumas medidas dependem de aprovação da Assembleia Legislativa, de parcerias com municípios e governo federal, de recursos orçamentários ou de mudanças legislativas.

Administração pública

A principal proposta administrativa é modernizar a máquina estadual, com planejamento estratégico, metas, indicadores de desempenho, avaliação dos programas e transformação digital. O plano prevê integração entre secretarias, ampliação dos serviços públicos eletrônicos, uso de inteligência artificial e análise de dados e maior transparência sobre investimentos e resultados.

Nos primeiros 100 dias, Daniel promete fazer uma avaliação da estrutura administrativa estadual, eliminar sobreposições de competências, estabelecer metas para os órgãos e iniciar o programa “Estado Presente”, voltado à presença do governo nas 12 Regiões de Integração. O plano também prevê um programa emergencial para reduzir filas de consultas, exames e cirurgias.

Desenvolvimento econômico, indústria e empregos

Daniel propõe ampliar a industrialização do Pará e reduzir a dependência da exportação de commodities sem beneficiamento. O plano prevê novos parques industriais, fortalecimento dos distritos industriais, atração de investimentos, incentivo à inovação e maior agregação de valor à produção mineral.

Na agropecuária e na indústria de alimentos, a proposta inclui agroindustrialização de produtos como cacau, açaí, castanha, pescado, frutas amazônicas, mandioca, leite e carnes. A ideia apresentada é manter uma parcela maior da riqueza gerada dentro do próprio Estado, com geração de empregos e aumento da arrecadação.

Regularização fundiária e setor rural

O programa prevê modernização do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), digitalização dos processos, georreferenciamento, inteligência territorial e integração entre órgãos responsáveis pela regularização fundiária. O candidato vincula essa política à segurança jurídica, acesso ao crédito e expansão da produção rural, ressalvando o respeito às comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e tradicionais.

Educação

A educação aparece como uma das oito grandes áreas do plano. A proposta inclui fortalecimento da educação infantil em parceria com os municípios, formação continuada de professores, conectividade nas escolas, laboratórios, bibliotecas, inclusão digital e expansão gradual do ensino em tempo integral.

O plano também pretende aproximar a formação profissional das características econômicas de cada região. Em Carajás, por exemplo, estão previstas formações voltadas à mineração, metalurgia, logística e automação; no Marajó, cursos ligados a turismo, pesca, aquicultura, pecuária sustentável e economia criativa; e na Região Metropolitana, áreas como tecnologia, saúde, inovação e empreendedorismo.

Saúde

A principal diretriz é regionalizar o atendimento para reduzir o deslocamento de pacientes para Belém. O plano prevê fortalecimento e modernização dos hospitais regionais, ampliação das policlínicas e criação de novos centros de diagnóstico e tratamento conforme a necessidade de cada região.

Daniel também promete um novo sistema de regulação para consultas, exames e cirurgias eletivas, com acompanhamento das filas, definição de prioridades clínicas e uso de tecnologia. Nos primeiros 100 dias, o plano prevê mutirões e metas para reduzir o tempo de espera.

Segurança pública

O candidato propõe uma política baseada em três pilares: prevenção, inteligência e presença permanente do Estado. O plano prevê integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica, Corpo de Bombeiros e sistema penitenciário.

Entre as ferramentas previstas estão videomonitoramento inteligente, reconhecimento de placas, monitoramento fluvial, centros integrados de comando e controle, comunicação digital e análise criminal com uso de dados. O plano também trata do combate ao tráfico de drogas, armas, minérios e madeira ilegal nas rotas utilizadas pelo crime organizado.

Infraestrutura e logística

A proposta é ampliar a pavimentação, recuperação e conservação das rodovias estaduais, priorizando ligações entre municípios e áreas produtoras. Daniel também pretende atuar em conjunto com o governo federal pela modernização de rodovias como BR-163, BR-230, BR-010, BR-316 e BR-155.

Para o transporte hidroviário, o plano prevê modernização de terminais, melhoria da navegabilidade e integração dos sistemas rodoviário, ferroviário e hidroviário. Portos de Vila do Conde, Barcarena, Santarém, Itaituba e Miritituba são tratados como estratégicos. Também há previsão de modernização dos aeroportos regionais e ampliação da conectividade digital.

Habitação e saneamento

A política habitacional seria ampliada em parceria com governo federal, municípios e iniciativa privada, com foco na redução do déficit habitacional, regularização fundiária urbana e melhoria da infraestrutura das comunidades.

O saneamento também aparece entre as prioridades de infraestrutura, dentro de uma proposta mais ampla de integração dos serviços e melhoria das condições urbanas.

Meio ambiente e Amazônia

O plano tenta conciliar exploração econômica e preservação ambiental. A candidatura defende transformar a biodiversidade em vantagem competitiva, com investimentos em bioeconomia, inovação, produção sustentável e economia de baixo carbono.

A proposta inclui incentivo a cadeias de produtos amazônicos, agroindústrias e empresas de tecnologia, além de pesquisa voltada à biodiversidade, agricultura tropical, saúde, recursos florestais e mudanças climáticas. Também está prevista a atualização do Zoneamento Ecológico-Econômico do Pará.

Ciência, tecnologia e inovação

Daniel propõe ampliar o papel das universidades públicas e institutos de pesquisa na economia estadual. A intenção é fazer com que conhecimento científico gere produtos, empresas, tecnologias e novas políticas públicas.

O plano também prevê transformação digital dentro do próprio governo, com integração de bases de dados, serviços eletrônicos e uso de inteligência artificial para auxiliar decisões administrativas.

Cultura, esporte e lazer

O programa trata cultura como ativo econômico e identitário e propõe apoio a artistas, produtores, festivais, museus, bibliotecas e espaços culturais. Entre as manifestações citadas estão carimbó, siriá, bois de máscaras, tecnobrega, guitarrada, expressões indígenas e quilombolas, artesanato marajoara e culinária amazônica.

No esporte, estão previstas ações de esporte educacional, comunitário e de alto rendimento, com fortalecimento dos centros esportivos e ampliação das oportunidades para crianças e jovens.

Mulheres, idosos e pessoas com deficiência

A plataforma prevê fortalecimento de políticas de autonomia econômica e qualificação profissional para mulheres, além de medidas de enfrentamento à violência. Para idosos, propõe políticas de saúde, convivência comunitária, acessibilidade e envelhecimento ativo. Para pessoas com deficiência, prevê acessibilidade física e digital, educação inclusiva e incentivo à inclusão no mercado de trabalho.

Desenvolvimento regional

Uma das marcas do plano é a regionalização. Daniel afirma que o Estado não deve ser administrado somente a partir de Belém e propõe políticas específicas para as 12 Regiões de Integração. Marajó, Baixo Amazonas, Tapajós, Xingu, Carajás, Araguaia, Tocantins, Guamá, Rio Caeté e Região Metropolitana aparecem com diferentes vocações econômicas e prioridades.

De onde viria o dinheiro?

A plataforma enfatiza responsabilidade fiscal, planejamento de longo prazo e avaliação dos resultados dos investimentos. A proposta é ampliar arrecadação, criar ambiente favorável à iniciativa privada e utilizar melhor os recursos públicos, sem apresentar, nas páginas consultadas, uma estimativa consolidada do custo de todas as medidas.

O que Daniel já fez na vida pública?

Antes de chegar ao pleito do Executivo estadual, Daniel acumulou mandatos como vereador, deputado estadual e prefeito. Na Câmara de Ananindeua, segundo perfil publicado pelo Legislativo municipal, presidiu a Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Meio Ambiente e criou, em 2013, o Instituto Deuseny Santos, voltado à oferta de consultas médicas gratuitas.

No segundo mandato de vereador, o perfil legislativo atribui a Daniel a aprovação de seis projetos de lei. Entre eles estão a Lei Municipal nº 2.881, que determinou a substituição de sacolas plásticas por embalagens de papel ou biodegradáveis, e a Lei nº 2.857, que tratou da capacitação de professores da rede municipal para estudos sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. As duas foram sancionadas em 2017.

Na Assembleia Legislativa, Daniel presidiu a Casa entre 2019 e 2020. Durante esse período, a própria Alepa registrou iniciativas relacionadas à fiscalização de gastos públicos durante a pandemia e articulações para discutir obras de infraestrutura e transporte no interior do Estado.

Como prefeito de Ananindeua, sua gestão teve como principais marcas apresentadas pela própria administração obras de infraestrutura, saúde e equipamentos culturais. Em 2024, a prefeitura informou que 54 das 77 unidades da rede municipal de saúde já haviam passado por reformas e requalificação.

Outro projeto de grande porte foi o Parque Cultural Vila Maguary, inaugurado em 2024, com teatro, espaços culturais, área de lazer, pista de caminhada e estruturas voltadas ao turismo e convivência. A própria prefeitura o classifica como um dos principais marcos da gestão.

Na área da saúde básica, Ananindeua ficou em primeiro lugar entre municípios brasileiros com mais de 500 mil habitantes no índice do Previne Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde e repercutidos pela prefeitura. O município voltou a ocupar a primeira posição no ciclo seguinte, em 2025.

Na educação, a prefeitura também destacou dados do IBGE de 2023 segundo os quais Ananindeua registrava taxa de alfabetização de 97,2% entre a população de 15 anos ou mais, a maior entre os municípios paraenses naquele levantamento. Esse indicador, contudo, não deve ser atribuído exclusivamente a uma administração municipal.

Votos e evolução patrimonial

A trajetória eleitoral de Daniel mostra crescimento expressivo de votação. Ele passou de 4.445 votos para vereador em 2012 para 12.675 em 2016; recebeu 113.588 votos para deputado estadual em 2018; 152.352 na eleição para prefeito em 2020; e 229.930 na reeleição em 2024.

A evolução do patrimônio declarado à Justiça Eleitoral também pode ser acompanhada nas diferentes candidaturas. Em 2012, Daniel declarou R$ 65 mil; em 2016, R$ 0; em 2018, R$ 351.445,54; em 2020, R$ 2.039.894,12; em 2024, R$ 4.849.539,60; e, para a eleição de 2026, R$ 4.753.760,80.

Na atual declaração, o candidato informou dez bens e direitos, incluindo duas propriedades rurais avaliadas em R$ 1,8 milhão e R$ 1 milhão, uma casa de cerca de R$ 692 mil, veículos, terrenos, participação em empresa agropecuária e R$ 112 mil em dinheiro. O valor total declarado é R$ 4.753.760,80.

Financiamento da campanha

A prestação de contas disponível no cadastro eleitoral, atualizada em 28 de agosto, registra R$ 2,805 milhões em receitas e R$ 369.549,65 em despesas. A maior parte dos recursos recebidos veio de doações partidárias: R$ 2,8 milhões, equivalentes a 99,82% das receitas registradas.

Entre as despesas declaradas, R$ 250 mil foram destinados ao impulsionamento de conteúdo, R$ 82.549,65 à publicidade por adesivos, R$ 20 mil a despesas com pessoal e R$ 17 mil a materiais impressos. O teto legal de gastos no primeiro turno é de R$ 11.562.724.

Investigações, processos e questionamentos

A trajetória de Daniel Santos também é marcada por uma série de investigações conduzidas pelo Ministério Público do Pará envolvendo a Prefeitura de Ananindeua. As apurações passaram por diferentes operações e procedimentos e incluem suspeitas de fraude em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, irregularidades administrativas e possível incompatibilidade entre o patrimônio declarado e bens identificados pelos investigadores. As apurações, contudo, não equivalem a condenação definitiva e o candidato nega irregularidades.

O primeiro grande episódio ocorreu em 5 de agosto de 2025, quando o MPPA deflagrou a Operação Hades. Daniel foi afastado cautelarmente da Prefeitura de Ananindeua por determinação judicial, enquanto investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao prefeito e a empresários. Segundo o MPPA, a investigação apurava possíveis fraudes em procedimentos licitatórios, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa. Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 500 milhões em bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas; desse total, R$ 140 milhões estavam vinculados a Daniel, segundo o EPOL.

Entre os bens apontados pelos investigadores estavam uma fazenda em Tomé-Açu avaliada em cerca de R$ 16 milhões, uma retroescavadeira de aproximadamente R$ 870 mil e participação em um avião Cessna Citation Jet. Segundo o MPPA, os bens teriam relação com um suposto esquema em que contratos públicos seriam utilizados para o pagamento de vantagens ao prefeito.

No dia seguinte, 6 de agosto, o Superior Tribunal de Justiça concedeu liminar que permitiu o retorno de Daniel à Prefeitura. O MPPA reagiu afirmando que a decisão não analisava o mérito das acusações e que tanto o bloqueio de bens quanto as provas apreendidas permaneciam válidos.

Em setembro de 2025, o MPPA deflagrou a Operação Hades II e criou a Força-Tarefa Ananindeua. A nova frente de investigação passou a apurar a aquisição de imóveis de alto valor registrados em nome de empresas e supostamente quitados por empreiteiras que mantinham contratos com a Prefeitura.

Outro capítulo surgiu em outubro, quando a Procuradoria-Geral da República se manifestou pela manutenção do afastamento de Daniel. A PGR apontou a aquisição de uma mansão à beira-mar em Fortim, no Ceará, avaliada em aproximadamente R$ 4,1 milhões. O imóvel teria sido quitado por meio de dez depósitos realizados por fornecedores do município na conta da esposa do prefeito, a deputada federal Alessandra Haber.

As investigações também alcançaram o uso de aeronaves. Em outubro de 2025, o MPPA abriu procedimento para apurar viagens realizadas por Daniel em aviões vinculados a empresas que mantinham contratos milionários com a Prefeitura. Segundo a apuração publicada pelo EPOL, a Altamed havia recebido R$ 26,8 milhões do município desde 2021, enquanto a Norte Ambiental havia faturado mais de R$ 63 milhões desde 2023. As empresas apareciam como operadoras das aeronaves, segundo dados da Anac, e o MPPA investigava se a cessão dos aviões poderia configurar troca de favores em razão dos contratos públicos.

A apuração sobre aeronaves ganhou outro elemento quando o MPPA apontou uma suposta ligação entre empresários, empresas contratadas pela Prefeitura e aquisição de bens. Segundo o órgão, uma transferência de R$ 300 mil teria sido utilizada na compra de uma fazenda em Aurora do Pará. O Ministério Público também apontou indícios de repetição de um esquema investigado anteriormente nas operações Aqueronte e Hades, com suspeita de movimentação de mais de R$ 115 milhões em contratos considerados irregulares.

Em novembro de 2025, o EPOL publicou ainda reportagem sobre a suspeita de que Daniel teria utilizado um jatinho que estava entre os bens bloqueados judicialmente pela Operação Hades para viajar ao Peru. Naquele momento, não havia confirmação oficial do deslocamento e o gestor não havia se manifestado sobre o episódio.

Já em março de 2026, o caso ganhou repercussão nacional após reportagem do Fantástico, da TV Globo, sobre documentos reunidos pelo MPPA. A produção abordou a suposta utilização de transferências realizadas por empresas e pessoas ligadas ao município para pagar uma mansão no litoral do Ceará e também mencionou relógios de luxo apreendidos durante as investigações. Segundo o EPOL, empresários teriam relatado aos investigadores que empresas também custeariam despesas pessoais atribuídas ao prefeito, incluindo combustível para uma fazenda e parcelas de uma aeronave.

A apuração também chegou ao Supremo Tribunal Federal. O EPOL publicou em março de 2026 que o STF determinou a retomada das investigações que haviam sido alvo de questionamentos judiciais. O ministro Alexandre de Moraes determinou a retirada de uma petição apresentada por Daniel e permitiu que os procedimentos voltassem a tramitar na Justiça Estadual. O caso havia chegado ao STF após uma reclamação relacionada à criação da Força-Tarefa Ananindeua e ao envolvimento processual da deputada federal Alessandra Haber, que possui foro privilegiado.

Daniel nega as irregularidades atribuídas a ele. A defesa afirma que o patrimônio possui origem lícita, que as transações foram realizadas dentro da legalidade e que não existem provas de que contratos da Prefeitura tenham sido utilizados para beneficiar o prefeito ou pessoas próximas.

O que o eleitor precisa observar

Daniel chega à eleição de 2026 com uma experiência administrativa significativa para um candidato ao governo: dois mandatos como vereador, um mandato como deputado estadual com passagem pela presidência da Alepa e dois mandatos como prefeito de Ananindeua. Sua campanha utiliza essa trajetória como principal credencial para apresentar um projeto de Estado baseado em gestão, infraestrutura, segurança e desenvolvimento econômico.

Ao mesmo tempo, a candidatura chega à disputa cercada por um histórico de investigações e denúncias relacionadas à gestão municipal, além de uma situação de registro eleitoral. Na consulta realizada no sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 1º de setembro, a candidatura de Daniel Santos aparece como ‘aguardando julgamento’. Segundo a própria definição do sistema, isso significa que o pedido de registro ainda não foi apreciado pela Justiça Eleitoral. Daniel permanece inscrito e concorrendo ao Governo do Pará, mas o registro ainda será analisado e poderá ser ou não deferido pela Justiça Eleitoral.

Este é o segundo raio-X da série sobre os candidatos ao Governo do Pará. As matérias serão publicadas em ordem alfabética e de acordo com o cronograma das sabatinas da TVC Pará, todas com início previsto para as 17h.

Acompanhe:
Araceli Lemos (PSOL), em 31 de agosto – link da entrevista;
Dr. Daniel Santos (Podemos), em 1º de setembro – Não compareceu;
Gal Leite (Unidade Popular), em 2 de setembro;
Hana Ghassan (MDB), em 3 de setembro;
Dra Ruth Reis (Democrata), em 4 de setembro;
Well Macêdo (PSTU), em 7 de setembro.

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