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STF amplia proteção da Lei Maria da Penha para combater violência política nas eleições 2026

Decisão unânime permite aplicação de medidas protetivas em casos de violência baseada em gênero mesmo fora de relações domésticas e familiares

Por Vitoria Fesa
19/08/2026 às 20:31 • 3 min
Imagem ilustrativa

Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou nesta quarta-feira (19) que ampliará a aplicação da Lei Maria da Penha para situações de violência contra mulheres motivadas por questões de gênero, mesmo quando não existe relação doméstica, familiar ou afetiva entre vítima e agressor. A medida também poderá ser utilizada pela Justiça Eleitoral durante as eleições de outubro para proteger candidatas vítimas de violência política de gênero.

A decisão foi tomada por unanimidade pelos ministros da Corte. Com a nova aplicação, medidas previstas na Lei Maria da Penha, como proibição de contato e aproximação, afastamento do agressor e até prisão preventiva em determinadas situações, poderão ser determinadas em casos que ultrapassem o ambiente doméstico.

O julgamento teve origem em um caso ocorrido em Minas Gerais. Uma mulher era alvo de ameaças e assédio constantes de um vizinho, que acreditava manter uma relação amorosa com ela. Segundo o processo, o homem chegou a ameaçá-la de morte caso ela não aceitasse se relacionar com ele.

A Justiça mineira havia negado medidas protetivas sob o argumento de que não existia uma relação íntima entre os dois. O STF, porém, derrubou a decisão e reconheceu que a violência baseada em gênero não depende necessariamente de um vínculo afetivo entre as partes.

Aplicação da Lei nas eleições 2026

Durante o julgamento, os ministros discutiram o papel da Lei nas eleições de outubro para enfrentar episódios de violência política contra mulheres. A partir da decisão, a Justiça Eleitoral poderá analisar pedidos de proteção feitos por candidatas que estejam sofrendo ameaças, perseguições ou outras formas de violência relacionadas ao fato de serem mulheres.

A proposta foi apresentada pelo ministro Flávio Dino durante a sessão. Segundo ele, mulheres que entram na política podem enfrentar situações de violência que atingem não apenas sua atuação pública, mas também sua vida pessoal e familiar.

A decisão estabelece uma nova orientação para juízes e tribunais na análise de casos envolvendo violência de gênero e amplia as possibilidades de proteção previstas na legislação criada em 2006.

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