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Desinformação e falta de apoio ainda dificultam amamentação no Brasil

Dados apontam que 45,8% dos bebês são amamentados exclusivamente até os seis meses; orientação durante a gestação pode ajudar a enfrentar dificuldades

Por Ludmila Viana
10/08/2026 às 20:07 • 3 min

Freepik

A amamentação exclusiva até os seis primeiros meses ainda não faz parte da realidade de todas as crianças brasileiras. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), de 2019, apontam que 45,8% dos bebês do país recebem apenas leite materno nesse período. O índice representa avanço, mas permanece abaixo da meta de 50% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à promoção do aleitamento materno, especialistas chamam atenção para fatores que podem dificultar esse processo, como dúvidas, insegurança e falta de apoio à mulher. A orientação ainda durante a gestação é apontada como uma forma de preparar a mãe e a família para os primeiros dias após o nascimento.

Dúvidas podem interferir no aleitamento

Para a pediatra Lianne Negrão, a falta de informação pode aumentar a insegurança das mães, principalmente no início da amamentação. Segundo ela, o acompanhamento pré-natal também pode envolver a preparação da família para essa fase.

Entre as dúvidas mais comuns está a ideia de que existe “leite fraco”. A médica explica que o leite materno muda durante a mamada: no início, possui maior quantidade de água e anticorpos, enquanto, posteriormente, apresenta mais gordura e contribui para a saciedade do bebê. Outro equívoco está relacionado ao tamanho das mamas. De acordo com a especialista, isso não determina a capacidade de produção de leite, já que ele é produzido conforme o bebê mama.

Nos primeiros dias depois do parto, a demora para o leite aumentar de volume também pode causar preocupação. Antes disso, o recém-nascido recebe o colostro, que é rico em nutrientes e anticorpos. A pediatra também destaca que a amamentação não deve causar dor quando a técnica está correta.

Benefícios para mãe e bebê

Além de contribuir para a proteção do bebê contra doenças respiratórias, diarreias e outras infecções, o aleitamento materno está associado à redução do risco de obesidade infantil e ao desenvolvimento cognitivo.

Para as mulheres, a amamentação também pode favorecer a recuperação após o parto. A sucção do bebê estimula a liberação de ocitocina, hormônio que ajuda na contração do útero e reduz o risco de hemorragias. O aleitamento também está associado à redução do risco de câncer de mama e de ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Apoio também é importante

A responsabilidade pela manutenção da amamentação não fica apenas com a mãe. Segundo Lianne Negrão, familiares e profissionais de saúde podem contribuir para diminuir a pressão e a insegurança enfrentadas nesse período.

“A amamentação é um processo de aprendizado para a mãe e para o bebê. Quando a mulher encontra uma rede de apoio acolhedora, ela ganha mais confiança para enfrentar as dificuldades e manter o aleitamento pelo tempo recomendado”, afirma.

Atitudes como dividir as tarefas domésticas, permitir que a mulher tenha momentos de descanso, incentivar uma alimentação adequada e evitar cobranças podem ajudar durante a adaptação à nova rotina.

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