Cidades

Crianças de Belém desenham a cidade que querem para viver

Escuta em Belém reúne estudantes do Guamá e transforma desejos da infância em subsídios para políticas públicas

Por Kaio Rodrigues
09/08/2026 às 14:28 • 3 min

Uma cidade sem alagamentos, com mais espaços de lazer, natureza e segurança. Esses foram alguns dos desejos apresentados por crianças de Belém durante uma atividade realizada na Escola Municipal Luiz Carlos Acácio Barbosa, no bairro do Guamá.

Ao todo, 39 estudantes entre 4 e 6 anos participaram da iniciativa promovida pela Secretaria Executiva da Primeira Infância e do Desenvolvimento Infantojuvenil (Sepidi). A atividade combinou conversa, brincadeiras e desenhos para permitir que os pequenos apresentassem as percepções.

A pergunta que guiou o encontro foi simples: “O que você gostaria que tivesse na sua cidade?”. A partir dela, cada criança encontrou uma maneira própria de representar aquilo que considera importante no lugar onde vive.

Uma das respostas veio de Marjorie Lima, de 4 anos, estudante do Jardim I. “Uma cidade que não alagasse, que não enchesse e que o piso fosse cheio de arco-íris”, contou a menina durante a roda de conversa.

A preocupação com os alagamentos apareceu ao lado de outros desejos nos desenhos. Árvores, flores, ônibus, escolas e famílias reunidas dividiram espaço com pedidos mais ligados ao universo infantil, como celulares em formato de coelho e personagens de super-heróis.

A escolha por atividades lúdicas considera a faixa etária dos participantes, muitos deles ainda em processo de alfabetização. Por isso, a oralidade, o brincar e o desenho foram utilizados como ferramentas para registrar aquilo que as crianças pensam sobre o território.

Segundo Juliana Menezes, titular da Sepidi, essa forma de participação permite compreender como os pequenos percebem situações presentes no cotidiano. “Através desse diálogo, mesmo com essa ludicidade, a gente consegue entender o seu contexto. Por exemplo, aqui a gente viu crianças que desenharam piscinas porque está muito calor, então a gente associa com as mudanças climáticas. É a forma como elas percebem a realidade e que vão ajudar a construir políticas públicas e cidades que tenham esse olhar para a criança”, afirma Menezes.

A atividade realizada no Guamá é a terceira escuta promovida pela Sepidi. O material reunido, incluindo desenhos, relatos e registros feitos por professores e pela equipe responsável, deverá ser analisado para contribuir com a elaboração de ações voltadas à primeira infância.

A proposta também faz parte de uma programação que pretende levar a escuta para todos os distritos de Belém. A ideia é reunir diferentes percepções da infância para ajudar a identificar necessidades e desejos relacionados aos espaços onde as crianças vivem.

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