Política

Cúpula da PF reage a decisões de André Mendonça e defende independência de inquéritos

Manifesto dos 27 superintendentes rechaça interferências em investigações sensíveis, como a apuração sobre fraudes no INSS

Por Estado do Pará Online
06/08/2026 às 12:09 • 3 min

Foto: reprodução/ Polícia Federal/ Nelson Jr./STF

Em reação às recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que impuseram restrições à atuação do comando da corporação, os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal (PF) divulgaram uma nota pública conjunta reafirmando o compromisso da instituição com a independência técnica, a autonomia administrativa e a imparcialidade nas investigações. Entre os signatários está o superintendente no Pará, Alexandre de Andrade Silva. A nota (Confira no final da matéria) foi divulgada na manhã desta quinta-feira (06).

No documento, a cúpula regional da PF enfatiza que o trabalho investigativo “não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais”, destacando que a preservação da autonomia de gestão e da independência técnica existe “em benefício da sociedade e da correta aplicação da lei”.

Rota de colisão no caso das fraudes do INSS

A manifestação ocorre em meio ao acirramento do atrito entre a PF e o gabinete do ministro André Mendonça, relator no STF do inquérito sobre fraudes no INSS — investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República. A tensão escalou após o ministro determinar que qualquer troca na equipe de investigadores seja comunicada previamente ao seu gabinete e que todas as perícias sejam anexadas na íntegra de forma imediata aos autos. Segundo informações da jornalista Daniela Lima, do site UOL, o ministro estaria fazendo reuniões presenciais com delegados ligados aos casos Master e INSS.

Anteriormente, Mendonça já havia ordenado que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não tivesse acesso aos dados do inquérito nem recebesse relatórios confidenciais sobre a Operação Compliance Zero, que apura o envolvimento de agentes financeiros no Banco Master.

As medidas foram interpretadas internamente pela PF como uma “interferência sem precedentes” e uma tentativa de controle da gestão administrativa da polícia.

Ação inédita junto à AGU

A insatisfação da PF levou a instituição a tomar uma medida inédita: acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar judicialmente as decisões do ministro no STF. Por outro lado, nos bastidores do Supremo, as determinações de Mendonça fundamentam-se na busca por preservar a blindagem dos investigadores e evitar vazamentos ou ingerências políticas, sobretudo após a substituição do delegado responsável por conduzir as apurações do caso INSS no início do ano.

Na nota divulgada, os delegados estaduais encerram reafirmando a “confiança na Direção da Polícia Federal” e condenam o que classificam como tentativas de fragilização das instituições republicanas.

Leia a nota na íntegra:

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