Política

‘Não aceitaremos interferência’, dispara Lula após crise diplomática com os EUA

Em entrevista ao Meteoro Brasil, chefe do Executivo acusa Washington de ingerência e confirma veto do Itamaraty a fiscalizadores internacionais.

Por Estado do Pará Online
05/08/2026 às 15:06 • 2 min

Entrevistado no podcast Meteoro Brasil nesta quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a conduta recente do governo dos Estados Unidos. A manifestação ocorreu após a revogação do visto da embaixadora brasileira, medida classificada pelo mandatário como uma atitude “irresponsável” e incompatível com os 203 anos de relações diplomáticas entre os países.

Ao abordar a assimetria na condução das representações formais, Lula criticou a demora de mais de um ano e meio de Washington para indicar um embaixador ao Brasil. O chefe do Executivo enfatizou que a diplomacia exige respeito mútuo e disparou: “a gente não tem a obrigação de fazer a data que eles querem”.

Sobre os riscos de ingerência política externa, o presidente assegurou que o país possui plena capacidade para combater tentativas de intervenção na disputa eleitoral. Ele relembrou um encontro com o presidente norte-americano Donald Trump e a recusa do governo dos EUA em revogar sanções contra autoridades do Brasil.

O chefe de Estado mencionou ainda a atuação de enviados internacionais que pretendiam fiscalizar o processo eleitoral em solo nacional. “O Itamaraty, corretamente, negou o visto para eles”, afirmou ao defender a postura rígida da diplomacia brasileira na proteção das urnas eletrônicas.

Buscando blindar a estabilidade do processo democrático até a conclusão do pleito, o Executivo ordenou o congelamento temporário do calendário de recepções diplomáticas. “Eu disse ao Mauro: até a eleição eu não recebo mais embaixador”, revelou Lula sobre a orientação repassada ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

A retórica mais firme do governo brasileiro acompanha um período de agravamento nas tensões bilaterais motivadas pelas sanções de vistos. Ao final da transmissão, o presidente reiterou que o país não aceitará interferências externas e defenderá sua soberania nas relações institucionais.

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