Internacional

Brasil repudia revogação de visto da embaixadora nos EUA e critica “medidas hostis” do governo Trump

Planalto afirma que justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são falsas e acusa tentativa de interferência em assuntos internos

Por Sarah Carvalho
05/08/2026 às 11:19 • 2 min

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal repudiou a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada nesta terça-feira (4). Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” adotadas pelo governo do presidente Donald Trump contra o Brasil.

Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a decisão foi motivada pela demora do governo brasileiro em conceder o agrément – autorização diplomática necessária para a nomeação do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. O governo brasileiro, no entanto, contestou a justificativa e afirmou que ela é falsa.

De acordo com a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas foi desrespeitada pelos próprios Estados Unidos ao divulgarem publicamente o nome do indicado antes da conclusão do processo de aprovação pelo Brasil.

O Planalto ressaltou ainda que não existe prazo estabelecido pela Convenção de Viena para a concessão do agrément e informou que o pedido norte-americano segue em análise.

Na manifestação, o governo também citou a negativa de entrada de dois representantes dos Estados Unidos no Brasil, alegando que eles pretendiam questionar o sistema eleitoral brasileiro. Para o Executivo, a atuação dos norte-americanos demonstra uma tentativa indevida de interferência no processo eleitoral do país.

O governo brasileiro afirmou ainda que a revogação do visto da embaixadora não é um episódio isolado, mas faz parte de uma sequência de ações consideradas hostis nas relações bilaterais.

A nota também menciona que autoridades brasileiras, incluindo integrantes do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), permanecem submetidos a sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky. Segundo o Planalto, essas medidas foram adotadas em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Por fim, o governo destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado manter o diálogo entre os dois países e relembrou que, durante visita a Washington em maio deste ano, solicitou ao presidente Donald Trump a retirada das sanções individuais impostas a autoridades brasileiras.

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